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Uma fotografia de Helmut Newton

O que pensar de ti, mestre fotógrafo,
que, com imagens em branco e preto,
colorias o mundo?
Tu agredias a realidade
e criavas um universo
no qual a nudez era regra e exceção:
despida, a mulher
estava nua
de tudo aquilo que,
em outras mãos,
seria vulgar.
A beleza do corpo feminino
estava ali,
em estado puro,
e, aos meus olhos,
não surge o desejo vazio
de sentimento.
Mesmo entre couros,
persistia uma sensação de pureza.
O corpo coisa
era o corpo inteiro,
real em sua irrealidade.

O que vias? 
Como olhavas?
O que conseguias enxergar?
Tua oficina aberta,
a nua estátua de carne,
a esposa que te espera,
o mundo lá fora a te aguardar.
E assim mostras
dois lados de um só mundo,
o mundo interno e o externo,
o mundo real e o recriado,
o mundo vestido e o mundo nu,
o mundo da verdade e o dos sonhos.

Trabalho e prazer,
criação e recriação.
Como, mestre fotógrafo,
conseguias enxergar tão além?
Uns dirão que eras gênio.
Outros, um enganador.
Há aqueles que,
vendo o corpo como o templo do pecado,
gritarão que eras um velho devasso,
um aproveitador das formas femininas.
Mas por que tantas queriam
ser por ti devassadas,
desveladas por tuas lentes?

Corpos vazios de alma?
Almas prisioneiras em corpos?
Ou as duas prisões 
em um só lugar?
Mestre fotógrafo,
como era brilhante
teu modo de olhar?



Francisco C
Enviado por Francisco C em 08/11/2006
Reeditado em 08/11/2006
Código do texto: T285893

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Sobre o autor
Francisco C
Porto Velho - Rondônia - Brasil, 48 anos
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Francisco C