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Salve Zumbi! Salve Oubí! Destes novos palmares

                     "Que noite mais funda calunga/
                      no  porão de um navio negreiro/
                      que viagrem mais longa candonga/
                      ouvindo o batuque das ondas/
                      compasso de um coração de pássaro no
                      fundo do cativeiro"
                      (de Roberto Mendes e Capinan, música
                      Yayá Messemba, CD Brasileirinho,
                      Maria Bethânia)

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Seu texto rasga a noite hipócrita do Brasil e desnuda um outro País, universo paralelo que se esconde, mas que permeia a realidade de toda a periferia, ferida submersa que não se cura e alastra-se ainda agora.

Seu canto vem de antes, pois pegou a palavra da boca de Zumbi dos Palmares e de a suas mãos a arma, agora transformada em novo aríete, um instrumento de ponta, forte: a palavra.

A força do seu texto bate na porta fechada, finca lanças na fissura-ferida da grande trava; desnuda todo o impedimento que se camufla na democracia racial falsa deste País de dores seculares.

Esse guerreiro das palavras rasga, todo dia, um pouco mais o espesso manto da opressão, que esconde a dor das favelas, a sub-vida do povo que ali habita, que é de faca, corte, ferida em constantância. Sal que se joga pela desasistência, desimportância, desfaçatez burra da riqueza.

Oubi é guerreiro. Ele eleva a poesia à condição de afirmação. Zumbi dentre outros zumbis deste palmares novos de concreto e asfalto. Seu canto reto fere onde deve, acalenta as crianças e desperta o guerrreiro que dorme em nós.

Que sua meta, poeta, continue acesa, iluminando o caminho, não se esmoreça nunca. Continue nos indicando a direção, com sua flecha, sua palavra-bala. Sua fala sincera. Sua poesia crua necessária e precisa. Viva!


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Dedicada à Oubí Inaê Kibuko, poeta que conheci há 25 anos, em suas performances poético-teatrais nos bares de Pinheiros, em Sampa, e nos shows alternativos do Centro ou no Lira Paulistana - companheiro também de um fanzine que fazíamos, a Aldeia, início dos anos 80, e das rodas de poesia. Foi um prazer revê-lo neste Recanto, com seu canto de denúncia, ternura e amor, principalmente na anti-véspera do Dia de Zumbi dos Palmares. Viva seu canto. Viva Zumbi. Viva Oubí!

Link de Oubí:
http://www.recantodasletras.com.br/contos/294453
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 18/11/2006
Reeditado em 21/11/2006
Código do texto: T294511

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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