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Ao meu pai

Envolto na noturna quietude
apenas ouço um canto doce – o rio,
em cujas águas busco o desafio
do imenso mar - a sua plenitude..

Rumoreja tão perto, em meu ouvido,
reflexo do mistério desta gente
que passa pela vida – uma corrente
seguindo sempre, em busca de sentido.

E noite adentro eu quero ter bons olhos
para enxergar além do que enxergava
em um homem cansado, que eu pensava
ser forte contra a vida e seus abrolhos.

Um homem que só viveu diferente
a vida, que eu agora vivo assim;
e nem por isso se tornou pra mim
mais homem, menos homem, menos gente;

E mesmo que ele agora não compreenda
eu sinto falta dos dedos calosos
tocarem minha fronte e olhos chorosos;
sereno, mesmo que me repreenda.

É o homem que preciso ter comigo
quando sou como um rio que se vai;
Preciso que ele seja o meu amigo
E depois disso, sim, seja o meu pai.

Poeteiro
Enviado por Poeteiro em 22/10/2005
Código do texto: T62317
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Sobre o autor
Poeteiro
Santos Dumont - Minas Gerais - Brasil
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Poeteiro