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O Pescador de Piaus

Para: Sargento Ozires

Sargento Ozires
Cuidava de suas varas de pesca
Como um samurai cuida da própria espada.

No começo de abril,
                      O rito inicial.
Primeiro, a escolha do local
Nem muito fundo, nem muito raso,
Longe da azáfama das lavadeiras
E da algazarra dos meninos.

Em maio,
A construção caprichada do girau
Bem amarrado, bem feito.
Por último, o teste com as linhas,
A compatibilidade das chumbadas
Com a correnteza.

Quando chegava junho
lá estava ele,
Chapéu de palha na cabeça
Milho verde para isca,
E toda paciência do mundo,
Ninando a vara
Até o puxão, do piau barbatão.

A vara vergando, cedendo, vibrando
Desenhando no ar gestos irregulares
A linha cantando
Cortando a água
no feroz embate.

O anzolão branco de alumínio
Certeiro, infalível, frio, irascível
                                      Subjugando
Até que vencido
Vinha à tona
O troféu em preto e branco.

Listras reluzentes dos piaus de vara
Bois erados das histórias
De um Parnaíba de outrora.


 
Raimundo Nonato
Enviado por Raimundo Nonato em 05/09/2007
Código do texto: T639353

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Sobre o autor
Raimundo Nonato
Teresina - Piauí - Brasil
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