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Herança de Laranjeiras

HERANÇA DE LARANJEIRAS

                           

O poema não é discurso,
Nem pretenso a exaltar,
O patrono do concurso,
Mas apenas dar lugar,
Ao poeta barretense,
Que veio nos encantar.

Se sua terra natal,
Não tem uvas nem palmeiras,
Sequer cantam sabiás,
Formigas muito altaneiras,
Sustentam tamanduás,
Da amada, Laranjeiras.

No curso de sua vida,
Recebeu muitas visitas,
Repletas de emoções,
Algumas bem descabidas,
Trouxeram recordações,
Como no peito as feridas.

Aos amigos mais “chegados”,
Confessava seus temores,
Ao luar, na chuva prata,
Reclamava suas dores,
E exaltava sem limites,
Aventuras, seus amores.

Muita fé, muita oração,
Pra enfrentar desilusões,
Sem deixar ficar seus versos,
Sustentando alguns senões,
Dispersos ou até perversos,
Como o mal de seus pulmões.

Com fibra venceu o mal,
Entre versos mui saudosos,
Cicatrizando as feridas,
Em seus pulmões cavernosos,
Entre os quais, jurava ter,
A fé dos mais poderosos.

Teve a vida de ativista,
Colaborando em revistas,
Mineiras ou cariocas,
Capixabas e paulistas,
Com crônicas, poesias,
Entre os grandes colunistas.

Ao mudar pra Bauru,
Dos jornais foi redator,
Assumindo na TV,
Relações de diretor,
Sem deixar de produzir,
Grandes obras, como autor.

Ao caro, José Vicente,
Confessou ir ao passado,
Saudoso e impertinente,
Onde se via, cansado,
Dançando o cateretê,
Longe do berço, danado!

Berço que embala a su’alma,
Na saudosa, Laranjeiras,
A quem pedia perdão.
Que em Bauru, com palmeiras,
Também a paz e alegrias,
Eram suas companheiras.

Ao amigo Ruy Menezes,
Fez pedido confidente,
Por crer que a esposa Hilda,
Não fosse o suficiente,
Pra executar o pedido,
De quando estivesse ausente.

Pois quando a morte chegasse,
Desejava ser cremado,
Tendo as cinzas espalhadas,
Nos solos que tinha amado,
Igualmente, repartidas,
Para um e outro lado.

Mas Hilda, esposa de fibra,
Fiel cumpriu a pedida,
Lançando as cinzas do amor,
Que, a terra foi aderida,
A duas praças que em vida,
O poeta há merecido.




Cinzas, terra, muito mais,
Que hoje alimentam flores,
Têm resíduos do poeta,
Que carregam seus amores,
E enchem papos de pardais,
Na verdade, seus andores.

Pois sequer a morte cala,
Nidoval Reis, a saudade,
Cujos versos perpetuam,
O amor e a felicidade,
Transferindo às gerações,
A paz e a sinceridade.

Afirmo-lhes com certeza,
Mais seguro que os profetas,
Que hoje na natureza,
Atingirão suas metas,
Vorazes pardais que agora,
Certamente são poetas.



Condorcet Aranha
Enviado por Condorcet Aranha em 11/11/2005
Código do texto: T70318

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Sobre o autor
Condorcet Aranha
Joinville - Santa Catarina - Brasil, 76 anos
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