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Epitáfio da menina esquecida



Epitáfio da menina esquecida



Perguntem ao sol que me aqueceu.
À chuva que me refrescou.
Ao luar que me iluminou.
Às nuvens que me seduziram.
Ao céu que me fascinou.
Ao mar que me magnetizou.
E que dele retirei tanto graça,
Jocosidade, onde tanto me envolvi.
Porque ele me aliciava.
Chamava-me não me mentia.
Delicias que me perturbavam.
Em seus amplexos me aquietava.
Às estrelas que me chamavam
Eu contava-as mil vezes,
e nunca chegava a nada.
À terra que me criou.
À natureza bravia.
Que foi a minha maior alegria.
Às flores que me extasiavam.
Às sombras dos arvoredos.
Que às vezes me metiam medo.
Acreditava em duendes.
Em bruxas e coisas más.
Lendas voejavam ao vento.
E sua voz se ouvia.
Seus sussurros ecoavam
Nas noites de tempestades.
Ou noutras de silêncios.
Que de pavor me arrepiavam.
e às grandiosas penhas.
que altaneiras dominavam.
tudo o que a terra não desbravava.
e que superiores se demarcavam..
Proeminentes sobre o mar .
ou em inacessíveis locais.
que assombravam o homem.
senhor e guardião.
daquilo que era seu chão.
e que Deus lhe deu a guardar.
Para nele o pão criar.
E eu pergunto sobressaltada.
Parece que acordada.
de um longo sono profundo.
Que benefícios tirei da vida?
E o que edifiquei?
Que realidades ficam de mim
Que sirvam de projecção.
Esta existência, que a meus pés
me foi colocada.
Ouvir a terra falar nas noites silenciosas
Para que eu a desfrutasse.
A defendesse e a amasse?
Que há de mim para a história
Que de mim fica para contar.
Que fiz eu para deixar.
Que de mim possam recordar.
Haverá algo para registar.
No livro da minha vida.
Que sirva para marcar.
Uma mágoa cativa?
Nem uma só lágrima molhar.
a ponta de um lençol?
Ou escorrer por uma face.
porque de mim sente a saudade?.
Onde estarão as recordações
Do amor com que me entreguei
De tudo o que vivi?
Ouve ressentimentos e desafectos!
mas nenhum ódio ficou
Quem não os tem na vida?
Ouve conquistas e aquisições
;De tudo o que venci
Com lágrimas sangue e suor
Pouco ou nada veio em troca .
A não ser um ombro amigo
Que fosse meu porto abrigo
onde sentisse carinho
para continuar o meu trilho.
Mas penso que muito ficou
Que eu deveria ter feito.

De tta
2-11-07
15.47
Tetita
Enviado por Tetita em 02/11/2007
Código do texto: T720851

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Sobre a autora
Tetita
Setúbal - Setúbal - Portugal
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