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Ser de Luz


Dara, Neneca, Baby, como preferirem
Ou ainda, filhote de Pipai e de Mamãe
Tanta inteligência, tanta astúcia
Pareciam impossíveis a um cão normal

Mas ela era diferente
Não era simplesmente uma cadela qualquer
O seu porte e a sua elegância encantavam
Aqueles que sobre ela os olhos colocavam

A nossa cumplicidade começou aos vinte dias do nascimento
Os olhinhos sempre vivos e sua pelagem de ovelha
Já faziam-nos antever que ela realmente
Tinha nascido para viver conosco

Muitos foram os percalços do casal
Brigas, desentendimentos, dificuldades financeiras
E ela sempre presente, com suas travessuras
Fazendo-nos esquecer um pouco os problemas
Ou mesmo agindo como elemento conciliador

No fundo, no fundo, ela já sabia que havia nos conquistado
As fezes no piso da sala, ou mesmo na poltrona
Não mais incomodavam tanto quanto antes

Diversas foram as vezes em que ralhamos
Neneca! Por que fez isto?
Pipai e Mimãe vão brigar
E lá ia ela
Como se entendesse o que foi dito
Procurar um cantinho para esconder-se
Até que tivéssemos esquecido as travessuras

Impossível não se encantar com a nossa “filha” de estimação
Perdoe- nos Senhor, se estamos cometendo sacrilégio
Mas não tenho palavras para descrever tão bonito sentimento
Que não o de pais para filhos

Aquela tarde de 16 de fevereiro de 1997 ficará marcada em nossas memórias
Tarde em que a esperteza saudável e astúcia de Neneca
Foram subtraídas por um pequeno ser aparentemente inofensivo
Um sapo de aparência medonha e triste
Que nos furtou uma de nossas jóias preciosas

Difícil é encarar a realidade de não mais vê-la ao chegar do trabalho
Com seus olhinhos vivos e latidos fortes a nos recepcionar
Como não mais vê-la em suas carreiras desenfreadas
Brincando de “picula” com Pipai e Mimãe
Aparência saudável e cauda a balançar

Oh meu Deus!
Mais uma vez te suplico
Perdoe-nos se estamos cometendo sacrilégio
Mas a dor e o sentimento de perda estão nos maltratando
Não sei se choro
Não sei se fico no quintal a vagar
Sem perder a esperança
De um dia Neneca poder reencontrar

Sei que essa dor não é infinita
O tempo irá se encarregar de curá-la
Mas o sentimento de amor e carinho que tínhamos por Baby
São comprovados por aqueles que conosco puderam conviver

A ti, Dara, Neneca ou Baby
Agradecemos o carinho e o amor
Que com certeza você também sentia por nós
E te prometemos ainda que a tua lembrança
Permanecerá acesa em nossas mentes
Por todos os dias de nossas vidas
André Luiz Ribeiro
Enviado por André Luiz Ribeiro em 10/11/2007
Código do texto: T731848

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Sobre o autor
André Luiz Ribeiro
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 50 anos
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André Luiz Ribeiro