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BRAVO NORDESTINO

Abre, pasmado, a boca
dela palavra não sai,
cabeça não pode pensar,
não deixam a fome e a sede.

Cacimba seca, só terra,
no quintal ele enterra
mais um boi esquelético
de fantasmagórica boiada.

A roça é, do inferno, a filial,
torrada pelo fogo do sol
lá no alto impedindo
que o céu derrame lágrimas.

Triste ele junta a família,
parte para outras plagas
onde não existam as pragas
da fome, doença e morte.

Caminhando vai o cortejo
pelas estradas ressequidas,
verdadeiros zumbis da realidade
de um país que é tão rico.

Bico curvo voa no ar
agourento carcará esfaimado
esperando que caia morto
o bravo nordestino,

mas o espírito é forte
não acredita em sorte,
luta com unhas e dentes
para vencer onde chegou.

Tem alma de menestrel
a poesia corre em sua veia,
ninguém lhe põe peia
quando canta o amor e a vida.

Bando de aves migratórias
espalhando-se pelas regiões
deixando na sociedade
o seu selo, a sua marca,

de brasileiro de valor
que guarda no peito com amor
a lembrança da terra distante,
o chão que o viu nascer.

02/04/05.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 02/04/2005
Reeditado em 02/04/2005
Código do texto: T9279

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão