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TECENDO A MANHÃ

“Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.”
João Cabral de Melo Neto


Entre as crianças me sento.
Juntos costuramos a manhã do amanhã.
Como flor de vida, um sol bordamos.
A paz emendamos em longos pedaços,
envolvemos de abraços seu ágil pescoço.

Ah, se o amanhã soubesse
como tecemos!
Viraria seu ágil pescoço e espiaria esta tarde.
Anteciparia seu sorriso forte,
brincaria de roda na estrada.

Mas como o amanhã não sabe
se demora.
Seu vestido de paz a traça devora.
As crianças se tornam sérios senhores
e eu envelheço sem força tecente nos dedos.

É inútil tentarmos lembrar da manhã costurada!
Por culpa do vento que nos roubou a alegria
e a poeira dos dias que apaga a memória.

Ah, se o amanhã soubesse como temos esperança!
Viria correndo provar seu vestido de abraços
antes que a gente  o esqueça.

Ah, se o amanhã soubesse
como tecem as crianças!
Pablo Morenno
Enviado por Pablo Morenno em 02/07/2006
Código do texto: T186277
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Sobre o autor
Pablo Morenno
Passo Fundo - Rio Grande do Sul - Brasil, 47 anos
42 textos (5113 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 17:40)