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Do peitoril da janela... uma dádiva



A ferida fechada,
que não dói mais.
Um sol que resplandece e
dentre as nuvens me ilumina.
A chuva que dura ainda restante no orvalho da alvorada.
A aurora de uma época,
de quando os pássaros voam,
atravessando de norte a sul,
deixando-me sem asas, porém, na promessa de que um dia me farão alado.
E eu sinto que posso sorrir,
que também posso voar,
porque foi-me dada uma dádiva perfeita, um presente perfeito.
Dessa janela olho a grande tempestade que junta suas legiões em busca de sua majestade, mas na sua própria escuridão ela se perdeu, e chora por não mais me afetar.
A vida que correu e... Ó! Tão injusta foi!
Mas eis que meus passos não voltam, eles seguem, caminham em veredas perfeitas iluminadas por lampejos da minha própria glória.
E vem a vida que se ajoelha e me implora perdão. Não serei injusto para com ela, não, nem por vingança.
Farei dos meus inimigos, pessoas felizes para que me gostem e não mais invejem minha felicidade, felicidade que veio tão apropriada como dádiva perfeita, presente perfeito.
Dessa janela voou poeira, que no ar desapareceu.
Eu olho para trás e um sorriso invade meu rosto, com pura e plena satisfação, sim, em total plenitude, por sempre ter sido eu, desde minha concepção, quando nasci e chorei ao ver o mundo, porém sorri ao ver o rosto de minha protetora.
E hoje, quem me protege? Ah sim! Existe quem me protege!
Tanto choro, tanto rio na busca da libido sem me preocupar com o que esperam de mim.
Eu sei que esse vento que sopra é uma mensagem divina, de que eu nunca mais vou prantear.
Estarei sempre na perspectiva do novo dia, daquele que me fará grande, assim como mereço, pois não posso mais me achar ser quando realmente sou.
E que alegria me trás essa dádiva perfeita, presente perfeito.
Dessa janela vejo os grandes monstros, os dragões cuspidores de fogo tentando livrar-se da mitologia, mas sabem que será em vão. Não! Eles não podem me atacar, não, nem me assustar.
Os caminhos que percorri me indicaram que há muito ainda para seguir em frente, e é isso que certamente vou fazer.
As folhas secas do outono que pela neve foram cobertas no inverno, não choram, pois têm esperança na primavera, sim, eu também tenho.
E eu quero beber dessa água, pura e cristalina água, eu quero, quero dela beber para que me purifique.
Nela quero mergulhar, fazer meu batismo, em símbolo dessa dádiva perfeita, presente perfeito.
Dessa janela me pergunto: Aonde está o medo?
O medo que hoje tem medo de mim, teme minha coragem. Pois fujo das conspirações em busca de realizações de coisas não vistas, mas que nelas tenho fé.
Olhe a borboleta colorida que não tem vergonha de contar que nem sempre fora borboleta. A abelha nervosa que zune e pica, mas compartilha de seu mel que adoça a boca de todos e é símbolo de desejo nos nossos poemas.
Por que a natureza nos conta tantas histórias? Por que não aprendemos delas nem por persistência? Parece que eu aprendi e sou eternamente grato por isso, grato por essa dádiva perfeita, presente perfeito.
Dessa janela, parece que só eu vejo o sol, o único que marcha até sua luz.
Túneis de densas trevas e escuridão estão fervilhando de transeuntes em busca do prazer que apenas os levará à perdição, não, não quero um deles ser. Eu quero ir, caminhar no atalho da luz, estradas que podem me conduzir à luz, e eu sei, porque sinto que estou mais perto, sim, cada vez mais perto dessa luz, única que pode iluminar meu humilde caminho que há muito labuto a caminhar. Sei que essa brisa que surfa entre meus dedos é um anúncio, um aviso, de que estou mais perto, mais perto dessa luz,
fonte duma dádiva perfeita,
presente perfeito,
absolutamente perfeito,
que só podia vir dos céus.

25/03/2003
Manoel Aguiar
Enviado por Manoel Aguiar em 11/11/2006
Código do texto: T288624
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Sobre o autor
Manoel Aguiar
Praia Grande - São Paulo - Brasil, 29 anos
21 textos (361 leituras)
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Manoel Aguiar