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DOIS LADOS DA MOEDA

                                                                                 JANJÃO
I

Tudo gira em torno da Paz
O patrão quer paz,
Por isto explora o empregado
O empregado quer paz,
Por isto não reclama da exploração

A Paz pode representar enganação
Em nome dela ser humano torna-se ladrão
Ladrão da paz de seu irmão
Aprontando para obter vantagens
De montão

A Paz remonta aos tempos de antigamente
Quando um irmão sentia ciúme dos dotes do outro
E matar era o jeito
Para livrar-se do incomodo e reinar soberano

Soberanamente a Paz foi selada
Com a escravidão negra nas Américas
Para senhores viverem em paz
Negros para a chibata foram
E humilhados por séculos e
Quando a liberdade veio com ela a fome imperou

A paz justificou a inquisição
Invenções de bruxarias e endemoninhados
Foram de praxe para os príncipes da religião
Que para fogueira condenaram Joana a D´Arc
E para o ostracismo Galileu, o Galilei

A Bastilha foi derrubada em nome da Paz
Que não existia aprisionando servos
E Burgueses
Mas com a Paz da Liberté, Egalité, Fraternité
Uma nova classe de senhores surgiu
E com ela uma nova e imensa classe de famélicos
Se formou

Formou-se em nome da Paz conceitos
Tão opostos que agrupam até hoje
Milhares de seguidores, por um ou outro
Capitalismo Versus Socialismo
Nazismo Versus Humanismo
Judaísmo Versus Cristianismo
E por aí afora



A Paz usada foi por tiranos
Que tinham na violência e na intolerância
Sua máxima para exterminar e imperar
O que dizer de Idi Amin Dada, Pol Pot
Ditaduras Militares nas Américas, Caribe e África.

A Paz durante 44 anos viveu
No fio da navalha a espera de um colapso nuclear
Bastava o mundo capitalista contrariar o mundo socialista
Ou vice versa, para a humanidade viver na tensão
Até lenda criou-se
De dois botões, um de cada lado do planeta
Acionados, bum !

A dicotomia da luta do bem contra o mal
Coloca em cena a paz
Como argumento para invadir nações e vidas alheias
Excluir para tomar territórios,
Excluindo com discurso separatista e xenófobo

Enfim, a Paz é vendida de acordo
Com gostos e interesses
Profere-se esta palavra
Para justificar mortes, fome
E toda sorte de desilusão
A Paz torna-se luz para privilegiados
E trevas para a maioria

II

Maria nunca ganhou presente
No Natal, família pobre
Seu sonho era ganhar uma boneca
O dia que isto aconteceu, ela teve
PAZ

Joaquim carregava para o corte
De cana uma verdadeira cruz
Incomodava-o um calo no pé direito
Sabia que só médico dava jeito
O dia em que pode retirar a enfermidade
Viveu finalmente em PAZ

Juliana não brincava com Lucia
Porque era negra e os pais de Lucia não gostavam
De negros
Um dia as escondidas JU e LU
Se encontraram e brincaram
A partir deste dia a PAZ invadiu o coração
Das duas amigas

Carlos sofreu o acidente com 18 anos
Sua companheira é a cadeira de rodas
Desde a fatalidade não conseguia ir ao cinema,
Lá tinha escada para a sala de exibição
Um dia uma rampa foi construída
Carlos vestiu-se de branco
E em PAZ continuou sua vida

Marta apanhava do marido
Um dia sim e outro também
O medo a dominava e aquela situação
Não terminava
Um dia depois de quase morrer
Marta disse: Quero PAZ
e ela veio, com o marido fora de casa.

Jocemar vivia no sertão de Pernambuco
Nunca tinha visto televisão, na sua cidade
Não tinha eletricidade.
Um dia ele iluminou a terrinha
E Jocemar pode ver Regina Duarte
Na telinha instalada na praça da cidade
E aí em PAZ ficou com seu desejo realizado.

Lucia ansiava saber ler e escrever
Queria enviar uma carta pra Zé Teodoro seu noivo
Que mora no Rio de Janeiro.
Um dia aprendeu as letrinhas e escreveu
A palavra PAZ e assim pode
Terminar a missiva com um belo Eu Te amo.

Jurandir não se conformava com
O desaparecimento de Junior seu filhinho de 5 anos
Labutou durante anos atrás do rebento
Lagrimas derramou e humilhações sofreu
Um dia Juninho foi encontrado
Razão que só a busca da PAZ é capaz de explicar.

Rebeca queria abandonar as drogas
Tinha decidido,
Mas os anos de vicio destruíram confianças
E difícil era a recuperação
Um dia ela não agüentou e pediu uma oportunidade
E aí a Paz imperou em sua vida,
Pois incluída foi nas delicias do mundo.

Valdir sofria as mais terríveis privações
Mas a maior delas era a de não poder
Alimentar sua família
A miséria tomava conta do lugar
Um dia sua luta e persistência
O trouxeram um prato
Que saciou a fome e em Paz manteve
Os que ele amava

EPILOGO DAS DUAS PARTES

A Paz pode não ser
Um estado de espírito

Pode não ser uma realização
Apenas individual

A Paz pode não ser infinita
E duradoura

A Paz pode ser a linha do horizonte
O Nirvana sonhado e esperado
Pela humanidade.

Porem a Paz não é uma bala perdida
Ou um chefe de estado louco e belicista.

A Paz não é ódio e amor obsessivo
A Paz também não faz distinção.

A Paz não pode significar o fim
Mas o objetivo a ser perseguido.

A Paz pode ser Deus ou não
Pode ser religião ou não.

A Paz só não pode separar
Matar, torturar e explorar.

A Paz pode muito bem
Existir para repartir

A Paz pode ser Rock In Rool
Ser Samba e Blues, todos os sons

A Paz pode ser branca, azul ou vermelha
Todos as cores, todos os tons

A Paz advir e aí a humanidade
Vai sorrir.
dialetico
Enviado por dialetico em 05/11/2007
Código do texto: T724347
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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