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POEMA DO SÉTIMO DIA  ( este texto nasceu quando minha mãe deixou esse plano da vida, isso foi em setembro de 1992, mesmo mês em que ela aniversariava...E é por conta desse setembro, que hoje publico este texto, uma forma de desejar feliz aniversário pelo dia 19, e feliz renascimento, por aquele dia 29 que a levou de nós... Beatriz, minha mãe, foi artista plástica, atriz, diretora de teatro, bonequeira, trouxe-me ao mundo entre cochias e cenários, palcos e roteiros, que me mostravam os sonhos, como verdade absoluta na alma do artista...
É para você minha mãezinha, esteja onde estiver, em luz, receba meu sopro de amor...sem dor, mas, com profunda saudade... ( A foto é porque, embora brasileiríssima, amava Paris.)



Fizestes da tua vida, arte, verdadeira plenitude, dando cor, movimento , energia , alegria , ao iniciar e concluir cada ato , 
que não finda.

Preciso acreditar, sem desmoronar, suportar ...
Teu palco , bonecos encantados, seres animados,
tua luz, dignidade de viver, teu morrer, é renascer.

É nisso que vou crer, assim sobreviver ...
Plantastes girassóis de setembros à setembros, 
selando a chegada e a saída , sem despedida.

Germinastes sementes na tua família , em amigos cultivados e companheiros de jornadas , florescestes em amor, 
puro como tua platéia criança...

Hoje colores infinitos jardins, que visualizo como consolo!
Estarás presente , impregnada na natureza, 
por isso, simples já é senti-la...

No mar, no vento, no sol, na chuva, no campo, na lua, nas estrelas, nas flores, nos pássaros ... Voando com liberdade, te vejo em
serenidade. Eternamente natural és tu! 

Bi – Atriz, pelo viver e pelo viverá, na terra, no céu, no ar ...
Presença essencial, imortal, habita dentro em mim...
Nunca terá fim, para muitos? Poucos? Não importa... 

À quem puder sentir e assim compreender. Não vou chorar o que perdi, posto que o que ganhei é herança adquirida e legítima,
habita no coração ... Não vais embora , ficarás em mim !

Nesta fui tua filha, um presente, aprendi contigo o invisível, 
o indizível, não o ausente, mas, um dia , estaremos contentes, 
juntas novamente, na eternidade, mãezinha amada, que saudade!

Beatriz , a que nos fez muito feliz ... 

O sorriso, a palavra, o silêncio, o conselho, o colo, 
o carinho, o puxão de orelha, a sensibilidade, a percepção,
a presença, a paciência, a canjinha, o camarão com catupiry...

As gargalhadas, o inesperado, as surpresas, a espiritualidade, 
a generosidade, a companhia exata, o estar junto, a criatividade, a beleza, a gentileza, a organização, a paixão, o amor infinito...

O abrigo, o abraço, o cheirinho, o beijo, a lágrima escondida, a dignidade, a competência, a perseverança, a força, a vontade, o otimismo, a alegria, a fantasia, o leitinho, a seriedade...

A brincadeira, os esforços, o empenho, os filmes, o bolo de abacaxi, os banhos de mar, os mergulhos, as cachoeiras, o pão de queijo, os passeios, a harmoniosa rotina...

As madrugadas conversadas, a amizade conservada por toda a vida, os chás, a proteção, as esperanças, a união, a canção, as viagens, as paisagens, o cheirinho do café moído ... 

Cenários inesquecíveis ilustraram nosso convívio ... 
Incontáveis lembranças , sinto-me criança, sem referencial de segurança, desabafo a falta que há em mim ...

Anjos, clarins, amparada por querubins, descansa em paz !
Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 17/09/2006
Reeditado em 17/09/2006
Código do texto: T242604

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema