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Restou Algo... de Tudo que Levaste.

Algo restou no prato.
(Não me entrou... Estava pensando em você...)
o silêncio ininterrupto desta casa levou meu apetite.
O cálice também estava cheio...
Meu coração também estava repleto, mas para quê? Para quem?
Para a cadeira vazia aí do outro lado?
Para o outro travesseiro que sobra todas as noites quando
Vou dormir? Quando vou tentar dormir?
(Pois eu já nem tentava!)

Levantei-me e fui até à janela
(Hábito indelével dos solitários!)
e chorei... Sim, chorei...
ao perceber que eu era aquela estrada abandonada,
empoeirada,coberta de ervas daninha, como os túmulos
dos esquecidos.

Levaste tudo, tudo!
(Roupas, perfumes, cartões-de-crédito,...)
e ainda acenaste como um viajante que logo retornaria.
Liguei o rádio, para que se retornasses não pudesses
Ouvir teus passos na varanda, nem tuas palmas;
Para que cansasses de gritar e fosses embora... de novo.

Ouvi passos junto à porta,
(Meu coração disparou!)
Segurei-me à cadeira para não cair em tentação!
Porém não falaste, nem bateste palmas, nem assobiaste!
Então me ergui, não podia esperar mais!
Abrir repentinamente a porta e o clarão fúlgido da alvorada
Revelou-me junto ao batente uma cotidiana
garrafa de leite fresco.

André Breton

Aracati-Ce., 30 de novembro de 2006.
André Breton
Enviado por André Breton em 30/11/2006
Código do texto: T305505

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Sobre o autor
André Breton
Aracati - Ceará - Brasil, 31 anos
60 textos (11788 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 18:11)
André Breton