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Lembras-te de quando não existíamos?
Lembras-te de quando ainda éramos nada
Paridos pela imaginação
Embrião estéril do pensamento

Lembras-te de quando te fazia sonho e realidade?
Lembras-te de quando a noite nos encontrávamos
Expelidos por desejo ingrato
Exílio fecundo da imaginação

Lembras-te de quando linchávamos um ao outro?
Lembras-te dos pergaminhos que me mostraste
Embriagados pelo tédio de vida vã
Sentinela do suicídio

Lembras-te?

Lembras-te dos doces que não trocamos?
Dos bancos em que não sentamos
Do calor que não sentistes quando não te afaguei as mãos nem te beijei a testa...

Ao menos te lembras dos  nossos choros
Na calada noite abraçando a fria madrugada
Madrugada presságio de terror
Ao menos te lembras da hipnose de teus lábios
Feito pragas no auge na minha frustração
Ou do teu olhar traiçoeiro e malandro

Lembras-te?

Das lutas do colégio que não tivemos
Dos colegas chatos que não nos insultaram
Das fantasias que não nos iludiram

Lembras-te?

Deste rosto feito mapa pelo tempo
Que um dia não te fascinou
Desta mão áspera
Que já te acariciou

Lembras-te?

De ti dengosa a desfilar por aquela rua
Soltando pelas ventas o audácia da idade
Tresmalhando desejos e cobiças
Na frugalidade da nossa casa

Lembras-te?

De ti e de mim
Separados na melodia de acordeão
Sentados na bamba da vizinha
Contemplando o muco de um irmão qualquer
Sem nada poder fazer
Como que reféns da eucinesia

Lembras-te?

De nós feitos um só
Na prostituição de nossas mentes imigrantes
Cruzando o frio atlântico desafiando o cárcere
Na imisção abrupta de nossas loucuras

Lembras-te?

Não, não te lembras...
Mabaka
Enviado por Mabaka em 23/08/2007
Código do texto: T620527

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Sobre o autor
Mabaka
Angola, 31 anos
72 textos (4740 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 00:53)
Mabaka