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Resgate

Ontem, tínhamos a idade de nossos filhos
Hoje, nossas lembranças são espaçadas por muito tempo...
Qualquer recordação é de dez, vinte anos...

Fomos bem menores que nossas indiferenças
Não conseguimos transpor pequenos problemas,
relembrar um passado que bem vivemos.
Com tanto orgulho no peito, tornamo-nos perecíveis ao tempo.
Diluímo-nos em raivas e indiferenças
quebrando em pedaços amores e amizades.

Tão longe ficam os mortos
sem comunicação espontânea,
deixando-nos com saudades insuperáveis.
E os vivos, mesquinhos carnais,
ficam parados, esperando seus corações murcharem.
Sem dar vazão ao grito -  gritar
ao apelo -  desculpar-se com o ser amado,
preocupados com inconveniências e disputas caóticas
que vazam dos olhos meigos e sedentos de muito choro
por disputas tolas de quem vai-se ao vento.

Empurrada pela brisa mansa,
moven-se os bancos da areia de minha lembrança,
deixando pra trás o mar frio e quieto do meu ser.
Com loucuras sanas tento reverter meus instintos quase em vão...
O arrependimento tem prazo de validade
Erramos supor que sabemos medir esse tempo.
Muitas vezes ele acaba
sem que resgatamos coisas que nos incomodam pela vida inteira.

 
JorgeBraga
Enviado por JorgeBraga em 06/11/2005
Reeditado em 23/01/2011
Código do texto: T67990
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Sobre o autor
JorgeBraga
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 51 anos
152 textos (3360 leituras)
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JorgeBraga