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Exilada

Uma saudade me invade,
Sem nenhuma explicação...
Minha alma grita saudade,
Latejando meu coração!

Eu não pertenço a este mundo,
Aqui peregrino sou...
Pagando minha pena, grito mudo...
Confesso, muito cansada estou!

Desde o princípio desta terra,
Caminhando por este chão...
Assisti seus tormentos de guerra,
Vi suas dores, sua perdição!

E entre toda a maldade,
Disseminada pelos corações impuros...
Deslumbrei os bens da humanidade,
Entre sangue e apuros!

Vi a ganância corroendo,
Como um câncer que devora almas...
Vi a hipocrisia enganando,
Escondida na proximidade das palmas!

Vi vida jorrando dos corpos pequenos,
Dos filhos em meio as batalhas...
Vi os puros de coração em acenos,
Levados por malvados canalhas!

Vi seres dos reinos inferiores,
Assassinados cruelmente...
Para satisfazer insaciáveis interiores,
Famintos por dor bebem o sangue quente!

Vi a pureza mutilada,
Vi as lágrimas retidas...
Vi a inocência roubada,
Vi esperanças perdidas!

Se os olhos alcançam o horizonte,
Os meus alcançam mais além...
Não preciso do alto monte,
Para enxergar alguém!

E se no mundo a devastação se apropria,
Da liberdade da vida fluindo...
Tornando essa terra fria,
Com cheiro de morte subindo...

O interior humano fétido,
De água parada da fonte que seca...
Cada passo leva as almas ao mundo perdido,
Cada vez que contra uma alma peca!

E sufocada em meio ao fedor,
Da maldade infectante...
Minha alma se rasga de dor,
De um arrependimento dilacerante!

Ah, se meus ouvidos não estivessem abertos,
No sublime discurso do Ser de Grandeza...
Meu coração não sentiria esses apertos,
Eu viveria em meio a beleza!

Mas desejei também o lugar
Privilegiado que o homem recebeu...
E aqui estou a pagar,
Minha cobiça está vida me deu!

Eu desejei... Eu tanto ambicionei,
Ser humana e ser especial ao Supremo...
Meu lugar perto Dele abandonei,
Hoje sofro...Caminho...Gemo!

Por mais valioso que seja vosso bem,
Por mais bela que seja esta terra...
A beleza que meu lar tem,
Todas as outras encerra!

Por mais que seduza meu olhar,
Por mais encanto que possa sentir...
Minha alma só deseja meu lar,
Deste mundo eu quero partir!

Não sabia que sofrido seria
Cumprir minha tarefa nesta condição...
Agora vivo arrependida, pois naquele dia,
Minha escolha foi minha perdição!



Guardião da Ventura,
Quinta- feira, 08 de Novembro de 2007, 02:36







Shimada Coelho A Alma Nua
Enviado por Shimada Coelho A Alma Nua em 08/11/2007
Reeditado em 06/08/2009
Código do texto: T728134

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Sobre a autora
Shimada Coelho A Alma Nua
São Paulo - São Paulo - Brasil, 46 anos
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Shimada Coelho A Alma Nua