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Sônia e Mariana.

Sônia e Mariana.

Hoje é dia de São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis,
padroeiro do Flamengo, meu time de coração, hoje estou tendo
sentimentos imprevisíveis, nada me parece bom, não vejo saída.
Vou caminhando pela beira da praia e lembro um dia de sol, na
praia de Botafogo, Sônia e eu, ou melhor, eu e Pituxa. Puxa, a
tempos não caminho pela beira do mar sozinho! Ela dizia: quem
anda na beira do mar procura se molhar, e eu molhei os pés, ou
melhor o tênis e a calça jeans, você riu, abrimos os braços, e deitados
na areia, trocamos o primeiro beijo. Bons tempos, tempos de amores
possíveis, de sonhos permitidos. Hoje, do alto da pedra do Arpoador
desabafo a minha dor, nesse cenário onde Deus resolveu brincar com
o mar e as pedras, lembro da minha escolha de amar você, minha sereia.
Seu nome, Mariana. A gente não escolhe quem ama, minha linda sereia,
de águas claras, e nesse mar agitado de sentimentos raros, meus pensamentos
me acompanham, e no auge da minha dor, você aparece entre as pedras.
 Eu penso, será que eu  vou ter que aprender a respirar dentro d'água ou
Mariana vai ter que aprender a viver na terra? Não posso pedir isso a ela.
Ter que respirar o ar aqui de cima, viver em prisão semi-aberta, onde saímos
de dia e não sabemos se voltamos à noite, tirar ela do paraíso e prendê-la no
caos do mundo. Não, entro em desespero e me atiro entre as pedras tão belas,
não consigo viver sem ela, mergulho em águas profundas, vejo paisagens tão
belas, e o ar me faz falta, e como no deserto começo a ver miragens, vejo você
vindo em minha direção, vejo teu corpo, teus olhos, teus cabelos cor de ouro,
vejo tua boca encostar na minha, penso, é o último beijo, fecho os olhos e me
entrego, como se fosse meu último desejo, o último suspiro, tenho medo, tua
boca se afasta da minha, tenho que respirar, mesmo que seja água ao invés
de ar, tenho que ti amar, mesmo que seja só o mar, não dá pra segurar, mas
quero ver o teu rosto antes de ir embora, meus olhos se abrem, eu consigo
respirar, nadamos de mãos dadas, vejo que estou no paraíso, estou contigo.
Então, agradeço ao Santo das Causas impossíveis, e digo, eu e Mariana vamos
visitar a Igreja de São Judas Tadeu lá no Cosme Velho, quando o Flamengo
for campeão, e não diga que é impossível, não o Flamengo ser campeão, mas
eu e Mariana, Mariana e eu, respirarmos na terra, ou você prefere que o mar
chegue até a igreja, ou a igreja venha até o mar? Nada é impossível, Tadeu.

Ricardo di paula, 29/10/07. AM 11:11.

Ricardo di Paula
Enviado por Ricardo di Paula em 24/11/2007
Código do texto: T750479

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Sobre o autor
Ricardo di Paula
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 49 anos
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Ricardo di Paula