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OS DOIS CRAVOS


Homenagem ao querido e saudoso
poeta Gióia Jr autor desta preciosidade
 que estou editando

Da mesma terra fecunda
Na tarde macia e langue
Nasceram dois cravos rubros
Dois rubros cravos de sangue.

Nasceram na mesma terra
Ao mesmo raio de sol
E juntos como nasceram
Rubros e meigos cresceram
Beijando o mesmo arrebol.

Um dia boiavam nuvens
Na fúria que desespera
Banhava a fronte rosada
Da sublime primavera.

Passou por aquela parte
Uma menina sem forças.
Tão pobre, tão pobrezinha
Que nem sapatinhos tinha
Pálida e triste inclinou-se
sobre a terra de joelho
E foi apanhar humilde
Um dos dois cravos vermelhos.

Iria depositá-lo
Na terra nua e sombria
Onde num sono de há muitos
Sua mãezinha dormia.

E dos olhinhos aflitos
O pranto rolou sereno
Como um filete de prata
Por sobre o seu rosto moreno.

E uma lágrima sentida
Rolou da pálpebra exangue
E foi  cair docemente
Num dos dois cravos de sangue.

E o cravo lindo de um brilho
Que quase não se descreve
Tornou-se claro de arminho
Tornou-se branco de neve.

Desde esse dia repousa
Na casta serenidade.
Um cravo frio na lousa
Branco e frio de saudade.

Cravo branco, cravo triste feito de lágrimas,
Feitos das vestes de arminho
Não venhas nunca em meu peito
Não quero ficvar sozinho.
Menestrel do Amor
Enviado por Menestrel do Amor em 26/11/2007
Código do texto: T754124
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Sobre o autor
Menestrel do Amor
São Paulo - São Paulo - Brasil
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