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Entressafra


Enquanto persistir este vazio
o rio que corta minha existência
estará represado
pesado de palavras não ditas.

Malditas as distâncias que me afligem
e exigem que a poesia fique à margem
e a folhagem de minha mata seque
e me neguem a capacidade da escrita.

Meu campo há muito sem o arado,
empedrado e estéril se apresenta;
a tormenta se despeja impiedosa
e a semente se afoga em meio à lama.

A chama que outrora em mim ardia
é poesia incinerada, é cinza fria.
Meus dias arrastam-se sem alento
e meu pensamento é vento só.

O pó das horas seca minha tinta
há quem sinta o que um dia senti.
Me recolhi em quietude improdutiva
aguardando que alguém escreva o que não escrevi.


11/08/2006



Mauro Gouvêa
Enviado por Mauro Gouvêa em 11/08/2006
Código do texto: T214280

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Sobre o autor
Mauro Gouvêa
Alfenas - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
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Mauro Gouvêa