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Umbigo

Umbigo, umbigo
pequena cânfora do que nos cerca
um anjo oculta-se em paredes pichadas,
alerta é necessário.

Ri-se ante a passagem do desconhecido,
que recua em sentido oposto à luz,
trazendo no peito a ânsia confusa e tôsca
do que faz...

Um homem esqueceu-o certo dia à míngua,
ode à língua profana,
que se insinua e disseca a mente insana,
ocupando janelas com virgens submissas,
premissas da sempre oblíqua vertigem.

Dilacerando o  torpe vácuo que o alucina,
um homem povoa as ruas com seu viver promíscuo,
recolhendo-se à sua liberdade senil.

Quisera entre cachos dourados,
tecer redes de sonhos,
teias de amor ao suor de asas grudadas,
mas o anjo limita-se a mostrar-me a insensatez.

Na escuridão, os gemidos e os lábios entumescidos
simulam a orgia dionisíaca...

Umbigo, umbigo
pequena cânfora do que nos cerca,
é preciso estar alerta
ante a procura, ao desconhecido,
estradas sinuosas que levam à redenção, ao seio.

Anjo (certamente ambíguo)
Leve-me em teus passeios.
Marcos Rohfe
Enviado por Marcos Rohfe em 17/08/2006
Código do texto: T218949

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Sobre o autor
Marcos Rohfe
Mogi das Cruzes - São Paulo - Brasil, 46 anos
107 textos (10403 leituras)
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Marcos Rohfe