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Vórtex

Para onde ir, mesmo
quando o vento dos sentimentos
antagônicos cessar de soprar?
Um barco à deriva, de um
oceano sem praias, encalhou...


Para onde ir, se mesmo
a tormenta e a calmaria
disputam em revoltas incertas
o leme quebrado da nau partida,
indefinidas na letargia profunda
do timoneiro inconsciente
que não quer acordar?


Âncoras acerbas ao pescoço,
um náufrago-coração em amarraduras
quer lançar-se ao mar inundado
pelas lágrimas de absinto...


Para onde ir,
para onde ir
quando nem pranto ou dor,
quando nem lágrimas
ou comoção de amor
conseguem mais transbordar
qual dilúvio enegrecido
uma afogada embriaguez?


Sim,
agora sei como os loucos cantam,
vagando em murmúrios sozinhos;
agora ouço os soluços dos moribundos
em seus eclipses de devaneios;
agora proclamo a infelicidade aflita
no estertor das tragédias malditas,
e sinto os lamentos mudos do
amargor das baleias extintas,
e compreendo o segredar oculto
de acres pérolas incrustadas
no profundo silêncio azul
do entristecido vórtice
da águas da vida...
ErlKoenigKunstler
Enviado por ErlKoenigKunstler em 25/09/2006
Reeditado em 25/09/2006
Código do texto: T248634

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Sobre o autor
ErlKoenigKunstler
Santo André - São Paulo - Brasil
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ErlKoenigKunstler