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A ORDEM

Quando a primeira flauta voa
e as cordas do violão sustêm a primeira lágrima
que não deverá cair, mas ficar recolhida
ansiando pela pétala que há de vir
em forma de acordes e indecifrável lirismo;

quando o coração não mais espera
e já antevê o grito mouco que irá perpetuar
e transformar o pequeno mundo do ser
em guerra no momento oásis a lhe saciar;

quando a conspiração da sensibilidade
prepara o encanto e rompe o fétido temor da vida
e o encerramento brusco, tosco da busca infinita
por desejos e motivos,  o olhar descansa
na pausa mediante que ao cansaço intimida;

quando tudo é o que chamamos completo,
a ordem vem reta, sem devaneios,
sem sorriso, sem  pano úmido que reconforte:

“ Vá para a última das cavernas,
da porta mais estreita,
das sombras mais nítidas,
vá e leve consigo sua sorte!

Vá para o recuo além fio da vida
com suas maravilhas aleijãs
suas vontades inexplicáveis de ouvir
suas tendências de malícias
suas brisas que não se necessitam nunca,
suas inúteis manhãs.

Vá e leve você com você mesmo
e de lá nunca se dissemine nem aflore;

vá e fique com seu pequeno e retrátil desafio
em se expor à poesia  seu riso incontido.

Vá ao encontro de seu mistério
mas sempre num recluso fone de ouvido!”


2006
Sítio de Poesia
www.alfredorossetti.com.br
ALFREDO ROSSETTI
Enviado por ALFREDO ROSSETTI em 27/09/2006
Código do texto: T250500
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Sobre o autor
ALFREDO ROSSETTI
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 65 anos
143 textos (2367 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 05:06)
ALFREDO ROSSETTI