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Mortes Veladas

[os três atos trágicos de um suicida]

[I ou Ode a Tua Morte]

Conservo teu ódio
Morno, melancólico
O andaime metálico
Desfaz-se em átrio

Por que morreras, meu amor
No ato falho da peça
Tão cheia de um temor
Uma piada sem graça

Tristeza corre nas veias
Há um palhaço, um mágico
A lembrança nas artérias
Da vida de mais um trágico

No palco chamado vida
Recito versos eternos
Do que me resta agora...

A nua Morte decidida.
Não deixaste nada menos
Tirou tua vida fora...

[II ou As lamentações]

Escrito nos muros
Nos cantos escuros
A memória, vaga
Que tudo esmaga

Versos doloridos
Destes livros lidos
Melodrama vão
Árias de verão...

A vaidade, de luto
Lamento escuto
Na voz fria, vento...
...apenas lamento...

A vida que findou
Ela nunca amou
Este que te choras

Passam lentas horas
Tudo que me resta
É o fim da festa

[III ou Opus Mortis]

Esqueça a doce lembrança
Dos áureos tempos de criança
Tudo que te resta, agora
É aquilo que foi embora

Com a vida. E com Morte
Que findara a tua Sorte
Nas cartas do cruel Destino
Desde os tempos de meninon

Esqueça. Não gaste a ti
Pois sabes que daqui parti
Nunca me deras um sorriso
Hoje não mais dele preciso

O ouro que aos tolos lava
A erva que aos loucos salva
A mim traz somente spleen

O coração antigo clama
A saudade que lá derrama
— Deus tenha pena de mim!
Fabio Melo
Enviado por Fabio Melo em 04/10/2006
Código do texto: T255721

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Sobre o autor
Fabio Melo
Santo André - São Paulo - Brasil, 32 anos
799 textos (255463 leituras)
6 áudios (1607 audições)
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Fabio Melo