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A GOTA DE CHUVA E O ESCRAVO

A GOTA DE CHUVA E O ESCRAVO

Ela servia todos
Morria todos os dias
E nascia
Para voltar a servir
Mas era livre
Ele servia
Morria um pouco todos os dias
Para voltar a servir
E nunca na vida
O viram
Ou ouviram a sorrir

Ela era o mais livre dos seres
Nascia na atmosfera
E vinha
Cá abaixo
Para a terra
Lamber a natureza
E dar-lhe vida
Para depois
Tão depressa como surgiu
Partir
Ele era o mais condenado
De todos os prisioneiros
Servia a eito
Ano inteiro
Noites a fio
E tentar ver a beleza da gota
O seu
Maior desafio

Ela era pequena
Como as coisas pequenas de tudo
Que podemos
Não dar por elas
Sem elas
Não podemos ver
Ele era
Quem ajudava
A sociedade
A Ser
Mas para todos era invisível
E a todos era incógnito
O seu invisível sofrer

Até que houve um dia
Em que ele
Morreu
E nem
Um simples
Caixão
Mereceu
Foi deixado
Numa vala
Enquanto chovia
Enquanto
Pequenas gotas de água
Lambiam
O seu corpo de nada
Mas essa
Foi a única altura
Em que ele
Foi realmente livre
A sua alma
Foi levada
Pela gota
Para o céu
Dos homens nobres
E também
De onde ela veio

Ambos são felizes
Ela morrendo
Todos os dias
Ele vivendo para sempre
Felizes
Como só o sabem ser
Os seres diferentes

A gota de chuva e o escravo

Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 05/10/2006
Código do texto: T256996

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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
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Miguel Patrício Gomes