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LÁGRIMA NEGRA

Hoje foi um dia
Em que nada
Ou quase demasiado nada se passou
E foi por isso
Que do seu Palácio de Gelo
O Príncipe sem coroa
Uma
Lágrima Negra
Derramou

No meu trabalho
Pus as contas sentimentais
Ou sensoriais em dia
Descobri estar em débito
Devo ao mundo
Alguma alegria
Embora não a verta
Com alguma pena
Deito apenas
Uma
Lágrima Negra

Não que comigo
As coisas não andem bem
A tristeza
Vêm-me do lado humano
E das ausências
De quem eu gosto
Vem de dores que foram importadas
E furaram as minhas fronteiras emocionais
Quando me tentava erguer das cinzas
E sair do Castelo tive de novo que voltar
À sua entrada
E ficar lá
Nesse último refúgio
O derradeiro
Lugar do mundo
Onde eu queria estar
Embora
Neste momento
Não tenha outro sítio onde ficar
E é por isso
Que aqui estou
Um pouco por mim
E muito por vós
Lágrimas Negras
A derramar
Num pranto silencioso
Que rega as palavras
E faz nascer
Novas criações
Com coita
Mas também
Com algumas ilusões
Pois são elas e os sonhos
A esperança
Que novos tempos hão-de vir
Que leva a que essas
Lágrimas Negras
Não se transformem num oceano
Que me afogue
E que no meio dele
Já ninguém
E para sempre
Me possa
Ouvir
Ou pelo menos sentir
Porque
Quero que olhem para mim
Como alguém válido
Que valha a pena
De um beijo
Um abraço
Um amor
Uma amizade
Sendo apenas transitória
A

Lágrima Negra
Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 20/11/2006
Código do texto: T296615

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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
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Miguel Patrício Gomes