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PENUMBRA



Condenado a uma eterna clausura,
Meu coração desesperado adapta-se à penumbra.
Minha desarticulada dicção desatina em soluços.
Desorientado, padeço num flash reacionário.
Sinto-me um invólucro descartável.
Não elevo minha corrente em sofridas preces.
Meu destino está empenhorado no nada.
Sou absoluto em divagações infrutíferas
Que perpetuam o desamor em carentes corações.
Eu sou o erro, vazio, taciturno e sinuoso.
Repito-me frente a momentos inovadores.
Flerto com o ateísmo, mas sou puxado pelo dogmatismo.
Firmo presença tentando ignorar todas as crenças.
Aceno as mãos e desafio qualquer manifestação.
Uma rajada de vento frio invade o muquifo,
Um vulto, quem sabe uma entidade, faz medo.
O dragão enfurecido cuspe uma bola de fogo,
Um tubarão gigante com apetite vem jantar-me.
Pegajoso, o tapuru, unido com o mandarová, atacam.
Cubro-me com um patuá com prazo de validade vencida.
Acordo atônito, olho de lado assustado, trêmulo.
Faz claro, mas ainda assim, só vejo penumbra...
Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 26/07/2005
Código do texto: T37864
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Sobre o autor
Paulo Izael
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Paulo Izael

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