Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Das lembranças, ou da sua falta

Abro o olho, muita confusão
Dores e memórias se confundem
Físicas ou mentais todas no chão
Agacho-me a juntá-las
Buscando uma ordem

Ordenando-me em meu coração
Batidas fortes initerruptas
Como que marretadas
Essa pulsação
De memórias perdidas

Tristeza enfim encobre o ser
Cortinas cinzentas
Separando o regozijo de saber
Dela os detalhes
Todos e nenhum
Um paradoxo a vencer

A contar e lembrar
Fico só com minhas angústias
Pensando como rústicas
Mobílias
Preenchendo um vazio
Aquele que é recente
Mas pesa como secular

Queria o tempo manipular
Lembrar o som da voz
Mudar o tempo e me beneficiar?
Egoísmo indizívelmente humano
Mas tenho é que mudar
Esse medo e essa tristeza
E não mais me enganar
Como não me machucar e então,
Quem sabe, meus sentimentos declarar?

Esses parecem tolos
Soam ridículos
Temo ser inalcançável
Esse objetivo que tanto tento evitar
E assim repetir
Quem gosta de sofrer?

Não consigo temer, tampouco seguir
Determinação não dependente de mim
Escolhas que escoam-me pelos dedos
Ao pensar na alegria de sorrir
E que nada, então, será ruim
Vislumbro e seco os meus medos

Enterrando as dúvidas, declararia-me?
Estaríamos ou estaria sozinho
Em minha eterna mazela da alma
O caminho a percorrer é esse?
Seria tão complexo ou é tão fácil?

Apenas soltar algumas palavras
E ser feliz ou ser triste
Dependendo da resposta,
Saída de seus lábios
Obscurecidos
Esfumaçados em minha memória
Aquela que me trai
Com todo direito

Caio
Prostrado
Cheio do mais amargo arrependimento
Como o café, queima e escorre
Sinto meus cabelos
A dor nos olhos
Dor? Não!
Uma pressão
dela rola, como o café, a lágrima
essa fria, salgada, muito mais amarga
Sincera, real!
Não posso continuar como tal.

Uma parte de mim é essa aqui
Confusa, sincera, amante
Bonita, mas medrosa
Rascunhada como um croqui
Com uma pergunta relevante
A ser arte-finalizada

Se tudo dependesse de mim
A agonia não se proliferaria
Como submerso no ouro negro líquido
Me afogo na gosma rica
Um dia, um momento, perdido

Saberei dele até a morte
Essa façanha que nos é dada
Das lembranças
O que me corrói é a sua falta
Faltam as que deveriam estar vivas
Pulsantes!
Enriquecendo e felicitando-me

Mas nada é mais como poderia ter sido
Se o tempo for um, único, passageiro
Perdi meu tempo
Não qualquer um
O único momento
Será que voltará?
Você poderá me dizer?
Você mesma, quem mais?
leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 28/08/2005
Código do texto: T45830
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
260 textos (273076 leituras)
3 e-livros (430 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 21:59)
leandroDiniz