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As vozes que lamentam

AS VESTES DOS POBRES

Que bastam minhas sujeiras
São como as de Cristo filho,
Beijadas por varejeiras
Sob aquele que eu humilho.

Seriam os pobres só loucos,
A enganar co’a bebida
Que ferve por dentro a socos
Toda a maldade da vida.

AS CASAS TRISTES

Minhas janelas fecham sempre assim,
à pedradas de jovens tão famintos
Falta a eles algum dos meus bons mitos
Será agora assim, triste, esse meu fim?

Queria janelas novas com espelhos
Queria tanto chorar na chaminé
Queria meus donos vivos aqui em pé
Não debaixo de pisos meus tão velhos.

A figura, decerto, é de abandono
E o pó eterno cobre mi’a mobília
Sentimento funesto sem meu dono
Como o pai que perdeu a amada filha...

AS BOTAS

Canso de comer derrotas
E de que adiantam forças
Se ando a tropegar nas fossas
E os vermes a roer botas
Que tanto andaram crentes
Como peregrinas doentes.
Fabio Melo
Enviado por Fabio Melo em 11/09/2007
Código do texto: T647173

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Sobre o autor
Fabio Melo
Santo André - São Paulo - Brasil, 33 anos
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6 áudios (1651 audições)
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Fabio Melo