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Veredicto

                               
      Senti novamente a fria mão da morte sobre meu ombro que,silenciosa e muda,caminha ao meu lado.
     Há tempos não sentia a sua presença.Não que estivesse ausente, pois bem sei que nunca nos deixa,é que as vezes estamos tão envolvidos com a vida que nos esquecemos da morte,mas ela não nos esquece...
       Caminha dia após dia junto de nós, calada e paciente.
Comigo agora também caminha um anjo rebelde, encarregado de, junto com ela, conduzir-me a última morada.
      Quando iniciamos nossa peregrinação temos ao nosso lado a luz,as trevas e a morte,essa última não nos deixa nunca,as outras nós escolhemos qual irá até o fim.
     No meu caso a luz apagou-se.
     Agora, de um lado, ela...Do outro o breu,as trevas ,a escuridão...
    Não há mais volta, não tem mais jeito...
    Hoje sou o que posso, não o que desejo...
    Por isso, se às vezes me achares cansado e triste, entenda-me.
    Se não tenho ânimo de caminhar contigo pelas ruas ou pelos campos desculpe-me...
     Se não vejo mais beleza nas alvoradas, nos poentes, nas noites, compreenda-me
    Se as vezes não consigo corresponder aos teus carinhos.teus desejos ,teus sonhos,tuas alegrias.perdoa-me...
     É que, feito um condenado que espera a hora de ir para a cela,espero eu a hora de ir com a morte e o anjo para o calabouço solitário para cumprir a pena:
                Prisão perpétua
                                                                             7/10/2002
tilo
Enviado por tilo em 16/09/2007
Código do texto: T654596
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Sobre o autor
tilo
Ribeirão das Neves - Minas Gerais - Brasil, 50 anos
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