Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Livros de erros


É o fim.
De todas as coisas.
De todos os meios.
Aos que dizem amem.
E se a felicidade não vem,
culpemos os governos.
E se a gripe não passa,
daremos a culpa ao sol,
que não nos iluminou.
Não nos aqueceu.

Eu, bebendo formol
no bar da esquina,
penso em todo o sal
que já consumi.
Seriam montanhas,
como minhas tristezas,
minhas alegrias.
Momentos vagos.
Veias abertas.
Buracos negros.

Continuarei a navegar
no meu barco de papel.
E se o vento não mudar,
colidirei com o céu.
Trespassando o azul,
é certo o abismo.
Mas não tenho mais tempo.
Viajei muito, para poder voltar.
Os segundos passam.
Não posso mais relembrar.

Respirei muitas nuvens.
Me armei de mares, estrelas e luas.
Mas de nada adiantou.
A escuridão é grande demais.
Como um abismo.
Lá embaixo,
ferve toda minha obscuridade.
Acima,
o sol queima minha mente.
Sem saída,
procuro somente sonhar.
Eu, que nasci somente pra te amar,
vago sem alma pela terra de gelo.
Para ver se te acho. Se te resgato.
Para ver se escapo ileso,
desse meu vácuo.
E se eu não mais voltar,
é porque me perdi te buscando,
te procurando,
no infinito do meu medo.
Márcio José
Enviado por Márcio José em 31/10/2005
Código do texto: T65671
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Márcio José
Curitiba - Paraná - Brasil, 48 anos
61 textos (26982 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 18:54)
Márcio José