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“LIBERTAS QUAE SERA TAMEN”

"LIBERDADE AINDA QUE TARDIA”
Em fins de Outubro de 1974
Na época da Ditadura

Meu tempo está sendo a noite
Não posso ser dia nem tarde.
Pelo contrário, estou no tempo
Errado e preciso viver a liberdade!

Preciso, afinal, voltar a viver e entender
Como é bom, afinal, ser livre!
Poder falar do que sobeja a alma.
Lutar pela vida e viver!
Não perder tempo em controlar o amor,
Não sofrer, não ter queixumes,
Poder ter posse, não ter medo!
Livre para não me preocupar
Com a preocupação.
Não guardar mais nenhum segredo!

Ter meu tempo, meu espaço, meu quinhão.
Ter tudo o que é meu, ser minha, afinal.
Não mais grades e muros,
Lugares tristes e escuros,
Esperança em fase terminal!

Não posso dar o que quero,
Não posso me dar a quem quero,
Não posso falar o que penso
Sem medo ou perturbação!
Dar o dom da fala, o fruto da minha pena,
o meu olhar que perscruta.
Meus ouvidos que ouvem mais que o som.
Meu toque, minha intuição,
meu afago, meu coração.
Livre para viver, ir e vir.
Livre para morrer.
Para não ter medo de ser livre.
E poder, enfim, voar para o infinito
E não mais ficar na pedra da praia
Espalhando cinzas carpideiras pelos cabelos
A procurar seixos coloridos que não existem mais...
Silêncio... Eles estão tristes...
Nem posso olhar as estrelas
Porque não estou livre!
Rachel dos Santos Dias
Enviado por Rachel dos Santos Dias em 22/09/2007
Código do texto: T664103
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Sobre a autora
Rachel dos Santos Dias
Campinas - São Paulo - Brasil
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Rachel dos Santos Dias