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Pobres crianças.

Minha vida tornou-se morte, e meus dias noites.
Queria que você ficasse comigo pra sempre mas nosso tempo já acabou quando mais precisei de ti você não estava comigo
e eu inocente fui inventando um monte de mentiras para iludir e acalmar meu coração, pois sabia que se não o fizesse não sobreviveria a mais uma noite sozinha no escuro.
As entristecidas estrelas me acompanhavam e a lua chorava seu brilho sobre mim, a imagem refletida já não era reconhecível, meus olhos estavam em outro mundo, e esse lugar era obscuro e frio.
Ouvia muitas vozes, e até sentia tocarem em mim, mas nada mais me importava, não tinha sentido algum para continuar. Tropeçando em meus pensamentos e inalando a pressa das pessoas pude ver que eu não importava, que era só mais uma no meio da multidão.
Que raiva tive daqueles covardes que não tiveram coragem de me dar a mão, que raiva tive de mim por ficar mendigando um simples olhar piedoso.
Senti-me como se sentem as pobres criaças que pedem esmolas, e percebi que elas não querem só o dinheiro, elas querem atenção e carinho. Querem alguém que as segure no colo, e que diga que tudo vai melhor, pois assim mesmo sabendo que é mentira elas poderiam durmir uma noite sequer sossegadas. E talvez até morrer naquela paz, que é a segurança dos pais.
Tantas e tantas vezes nós precisamos de colo e o máximo que encontramos são olhares de reprovação!
Queria saber por que as pessoas estão tão preocupadas consigo mesmas que não se preocupam com seu futuro, Sim somos nós seu futuro, as pobres crianças de rua.
Estou na verdade cansada, daquelas madames pompozas, em seus carros caros e suas roupas de pele. Eu queria um prato de comida, e uma roupa quente, e elas ainda me olham como se eu fosse um leproso. Queria que elas soubessem que eu é que tenho pena delas, pois eu divido tudo o que tenho, inclusive minha essência e elas de tão egoístas vão acabar se invenenando no próprio perfume.
Carolina Augusta Costa Justino
Enviado por Carolina Augusta Costa Justino em 28/09/2007
Reeditado em 21/06/2008
Código do texto: T672563

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Sobre a autora
Carolina Augusta Costa Justino
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
74 textos (5630 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/10/17 11:24)
Carolina Augusta Costa Justino