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A ÚLTIMA GOTA DE ORVALHO

Os prantos estão todos secos,
as lágrimas saem quentes dos olhos,
o calor nos atormenta, nos desestimula,
somos acordados em pleno inferno,
dali somos levados ao mais longe de nós,
estamos nos perdendo, e perdidos
nos deixamos ser levados sem resistência,
nesse lugar não há plantas, água escassa,
tudo cheira a horror, somos ameaçados,
o sol está queimando nossas peles desnudas,
nossos farrapos não nos protegem,
aliás, somos farrapos como eles,
nem somos como eles e nem eles são como nós,
somos restos de vestes putrefatas,
parecemos andarilhos sem rumo certo,
somos forçados a perambular ruidosamente,
nossos suores não caem, escorrem,
lambemos nossos lábios num desespero,
e a salinidade nos deixa ainda mais sedentos,
estamos a pele e osso, vagarosos,
nos conduzimos por um infindável sol
escaldante que nos persegue impiedosamente,
nem mesmo o sereno da noite nos aprouverá,
estamos em nossos últimos momentos de vida,
e antes da última gota de orvalho,
caímos todos mortos, vilipendiados em nossa vergonha...

2.007
JOSE LINS
Enviado por JOSE LINS em 16/10/2007
Código do texto: T696022
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
JOSE LINS
Lins - São Paulo - Brasil, 62 anos
499 textos (31868 leituras)
26 áudios (1988 audições)
4 e-livros (116 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/10/17 12:00)
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