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O TEMPO

Ela caiu
A maioria riu
Todos viram
Rolou a escadaria abaixo
Aos poucos ela se rendeu à lei da gravidade
O vento foi insuficiente para segurá-la
O ar seco que amarga a cidade negra a empalideceu
Muitos degraus...
e o tempo parou para ela e continuou para nós.
Sacudida pelo susto
Não percebeu a dor, o terror e a vergonha vermelha de sua pele roxa
Todo mundo espiou
Poucos pararam para ajudar e enxugar as lágrimas da pobre senhora
A velha e mansa, de mãos grudadas à pele, levantava-se cambaleante
Os joelhos no passeio em flor caíram novamente
De sua boca enrugada lágrimas de sangue apareceram
Os poucos que ajudavam foram embora e, de joelhos e solitária...
... a velha contemplou o tempo mais desprezível dos homens.

(Lúcio Alves de Barros – agosto de 2007)
Lúcio Alves de Barros
Enviado por Lúcio Alves de Barros em 23/10/2007
Código do texto: T706379
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lúcio Alves de Barros