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Herança

E eu morro a cada dia
quando cada coisa morre.
Outrora Deus me socorria;
agora já não socorre...

Vai um pássaro, coitadinho,
de hirtas e opacas asas.
Vai com ele um bocadinho
da minha alegria tão rasa.

Vão-se o amigo, o cão, o gato, o boi,
tudo vai nesta infalível jornada.
Só fica a angústia do que foi
na minha memória cansada.

Até um jovem filho se vai
sem mesmo saber p'ra onde,
na vã liberdade que atrai
e mil armadilhas esconde.

Nenhuma alegria perdura
e todo gozo é passageiro.
Só de tristeza há fartura
todo dia, o ano inteiro...

Quando eu me for (e será breve!)
levarei comigo esta carga.
Não quero que alguém herde
tanta lembrança amarga.
Remisson Aniceto
Enviado por Remisson Aniceto em 07/11/2007
Código do texto: T727182
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Remisson Aniceto
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Remisson Aniceto