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FUGA

Por que taita, abichornada, hoje anoiteço,
se em ti sempre encontrei o puro achego?
Também não sei o motivo de tanto tropeço
nem o querer pealar quem tira meu sossego.

Ainda assim, venho trazer-te outro regalo
tentando aliviar a tua interminável soga.
Mas, se não compreendes o que te falo,
o que digo aqui, também, não voga...

A sanga de nosso destino vamos varar
pois mesmo que te percas a la cria,
de nada adiantaria eu seguir a trovar
que desse surungo eu não entendia.

Juro que não queria te deixar azucrinado e jururu.
Vê que se agora escorrego nesse lançante
é porque comi o pão amassado por belzebu,
e nem isso parece ter sido o bastante...

Eu já nem sei como chegar a jeito
e ainda que continue a laço e espora,
bem guardado aqui dentro do meu peito,
levo meu xiru por esse mundo afora.

Porém, não dá pra compreender
quando recebo esse manotaço
bem na hora de gritar meu oigalê...
Por isso, precisei virar esse bagaço
com a linda plumagem a bater.

Além do quê sempre fui aporreada.
Por isso, não adiantaria de nada
tentar te convencer do que só o Patrão Velho
é capaz de nesse instante entender.

Tânia Regina Voigt 10/06/08
Tânia Regina Voigt
Enviado por Tânia Regina Voigt em 12/11/2007
Reeditado em 11/04/2009
Código do texto: T734458

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Sobre a autora
Tânia Regina Voigt
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil
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Tânia Regina Voigt