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Gostaria...

Gostaria de não ser nada
Coisa alguma nascida
Uma poesia perdida
Coisa alguma notada...

Se assim eu fosse
E, se nem eu percebesse
Se eu dormisse se não acordasse
Para o coma irrevogável adentrasse
No irreversível eu descesse...

Sou tristeza, o filho da dor
Mas, que importa quem sou
Alma expiada, a semente mal plantada
A côdea, o cáustico que o infortúnio criou
Desabitado, quimérico, exterior...

O engodo das significâncias
A quase indisfarçável obliteração
O póstumo que ninguém notou
O desacerto da concepção...

O inservível, aquilo que soçobrou
O resíduo disperso de um grito
O vazio que a chama queimou
Sou eu, o fardo, a aparência enganosa
O esquecimento do Criador...

Sou a preguiça do sepultureiro
A impostura do pesar profundo
A resposta do irretorquível assunto
A vaga que o caos ocupou

Sou desvalia, sou indizível
A veia que não pulsa
Aquilo que agora se chama repulsa
Que de forma indiferente... A própria morte negou
Carlos Barros
Enviado por Carlos Barros em 12/11/2007
Reeditado em 12/11/2007
Código do texto: T734683

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Sobre o autor
Carlos Barros
João Pessoa - Paraíba - Brasil
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Carlos Barros