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Amor: sentimento estranho

I
O amor é um sentimento estranho;
você se sente feliz em estar amando,
o sangue flui, nas veias, de modo vívido,
o coração bate forte, o peito martelando,
os olhos brilham, ao ver a pessoa amada,
é como uma jóia duramente conquistada,
a felicidade pelo corpo vai se espalhando.

II
Contudo, tudo vai por água abaixo,
quando se gosta da pessoa errada,
há o ciúme a nos corroer por dentro,
doloroso, pior do que uma punhalada,
mesclado à desconfiança perniciosa,
que causa sofrimento e dor venenosa,
e a sensação de uma vida desprezada.

III
Às vezes somente um dos dois ama,
o outro apenas se aproveita da ilusão;
um leva o namoro a sério, com fervor,
o outro brinca, pensa que é só curtição,
vive o prazer carnal, curte o momento,
e, quando enjoa de todo esse fingimento,
some, deixando o parceiro na depressão.

IV
E eis que surge uma pergunta importante:
como saber que aquela é a pessoa ideal?
Tudo parece bom no início do namoro,
beijos, carinhos, juras de amor especial,
as diferenças vão sendo suprimidas,
são duas pessoas adaptadas e unidas,
compartilhando um momento essencial.

V
Depois, se um dos dois está fingindo,
o sentimento é deixado de lado,
acontecem as ausências e o silêncio,
nenhum carinho é mais compartilhado,
em seguida vem o desprezo e a traição,
o rompimento, no auge de uma discussão,
e a dor horrível de quem foi enganado.

VI
Muitas das vezes tudo só dá certo
quando o casal mora em casas separadas;
alimentam uma espécie de amor platônico,
com suas vidas em comum cadenciadas,
ele aqui, ela acolá, ambos independentes,
vivendo de várias formas inconseqüentes,
porém se amando, nas horas programadas.

VII
No entanto, o bom da coisa só acontece,
quando se encontra o parceiro ideal,
quando o amor é mútuo e verdadeiro,
quando se ama uma pessoa especial,
é onde há o respeito e a sinceridade,
é onde nasce a inolvidável felicidade,
é o clímax do amor sincero do casal.

VIII
Viver em comum não é tão fácil,
é preciso ter uma profunda filosofia,
de construir uma vida digna, juntos,
enfrentando os óbices do dia-a-dia,
amando, ajudando, dando carinho,
ensinando ao parceiro o bom caminho,
do amor, do respeito e da alegria.

IX
A filosofia do amor consiste em
amar de modo sincero e espetacular.
É, sim, estar presente no bom e no ruim,
é dialogar, para confiar e respeitar.
É também acariciar com ardor e paixão,
é compartilhar o corpo e o coração,
para que um possa ao outro completar.

X
E, para finalizar minha vã meditação,
tento expurgar essa dúvida capciosa:
onde está o verdadeiro amor?
É possível achá-lo, nessa vida perigosa?
É possível duas pessoas se amarem eternamente?
Um amor sublime, sincero e envolvente?
Ou tudo não passa de ilusão vertiginosa?

O que você acha, leitor?

Joderyma Torres
Enviado por Joderyma Torres em 03/01/2006
Reeditado em 17/03/2006
Código do texto: T93870
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joderyma Torres
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, 51 anos
70 textos (14851 leituras)
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Joderyma Torres