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Serenar




09/01/1981



Ó chuva que molha as casas,
Chuva que molha as flores,
Chuva que rega o mundo
-Lavai minha alma!

Chuva, fúria, lavai-nos!
Limpa de nós o orgulho,
Limpa de nós a ambição,
Lava nossos imundos corações!

Se teu banho me lavasse
Sob teus braços estaria eu,
Regando meus frutos bons,
Lavando meus frutos maus.

Tempestade furiosa, não me entendes?
Lava do meu corpo as impurezas,
E da minha alma o prejudicial.

Chuva, não abrandes agora,
Serenas antes meu espírito.
Egoísmo, desconfiança,
Dê-me deles a bonança.

Queria eu ser uma árvore,
Banhando-se agora, feliz,
Lavada folha a folha
E embriagada a raiz.

Queria eu embebedar-me de tuas gotas,
Para assim como as folhas das árvores
Poder respirar em paz.

Mas minha natureza humana
Veda-me os poros, sufoca-me,
Tira-me a visão, ensurdece-me,
Tira-me a audição, o tato,
E até o paladar – mata-me!

Chuva serena, refresca agora a minha dor.
Serene meu coração, devolve-me os sentidos.
De cada fio de meus cabelos
Quero sentir teu hálito, teu contato,
E saborear teu paladar.
Que meus olhos se fechem para te sentir
Minha boca se abra para te receber em minhas entranhas

E quando te fores – ó chuva!
Deixa a minha alma serenar.
Edilene Barroso
Enviado por Edilene Barroso em 30/07/2006
Código do texto: T205035

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Serenar - Edilene Barroso
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Sobre a autora
Edilene Barroso
Campinas - São Paulo - Brasil, 53 anos
192 textos (21457 leituras)
12 áudios (4784 audições)
5 e-livros (337 leituras)
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Edilene Barroso