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Companheiro!...

Há névoa nos seus olhos pisados...
Seu caminho é de pedras e ele caminha triste.
Carrega toda a dor do mundo nos ombros curvados,
Pois não é real e não é sonho. E já duvida que existe!...

Flutua, insensível e adormecido o peito,
Entre os vapores do álcool e da loucura;
Seu lar é o boteco, a sarjeta, o seu leito,
E sorve em goles rápidos a sua amargura...

E agora caminha para bar: seu meio e seu fim...
- “Companheiro!” – ouve, e o coração
Dispara. Há tanto tempo não o chamavam assim!
-“Companheiro!” – repetem, e lhe entregam um cartão.

Seus olhos turvos não lêem, mas já percebe
Que, de repente, não está mais sozinho!...
E flui na alma o convite que recebe:
“Venha, há um caminho!...”

Era uma mensagem de AA. E lá, na humilde sala,
Onde as esperanças desatam o porvir,
Tampa a garrafa, reabre a alma. Mas não cala,
Entretanto, a gratidão. E prepara-se para servir...

Meses depois – espantoso fato! – ei-lo, vibrante,
Voltando à antiga rua, passo firme, ligeiro.
Alguém, ébrio, soluça e cambaleia. Ele ampara o caminhante,
Repassa a mensagem, e murmura emocionado: “Companheiro...”


Antonio Maria/São Luís do Maranhão, 13/06/1989

Antonio Maria S Cabral
Enviado por Antonio Maria S Cabral em 07/08/2006
Reeditado em 11/11/2008
Código do texto: T211407
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Maria S Cabral
São Luís - Maranhão - Brasil
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