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Gólgota (O teatro da vida) - Sonetos

I Ato (O Nascimento)

Da semente implantada ao ventre da mulher,
Gera-se a vida, cria-se um novo elemento
Mas este, não será um elemento qualquer,
É uma vida, que para nascer aguarda o momento...
~
Esse momento chama-se “luz”, é o primeiro ato de amor,
E marca cronologicamente o final da gestação
Fazendo do parto entre a alegria e a dor,
O nascimento, que é da mãe a primeira doação...
~
A mãe que é da natureza uma flor
Um espelho de dor, que reflete o amor,
A dama do tempo, sublime divindade...
~
Mãe, que tem o caminho da verdade,
A cúpula transparente, que nos protege da maldade
O beijo carinhoso, a identidade de amor...

II Ato (A vida)

Eis aqui uma gênesis bem formada
Num corpo esculpido pela perfeição
Mas tem tua face, pelo tempo já modificada
Um rosto de criança, que está sofrendo alteração...
~
São brinquedos que já foram trocados,
Pela responsabilidade de ter “como viver”
Esperando que sonhos possam ser realizados,
Nesta vida de eterno aprender...
~
Então se forma como um arco-íris em cores
E como o vento que se encana nos corredores,
Você segue moldando-se com a idade...
~
Procurando a saída para um ideal de liberdade,
Criando pelo saber, as suas próprias verdades
E construindo sua fé, defronte aos seus temores...

III Ato (O amor)

E quem vai lhe ensinar sobre o amor?
A vida? Talvez, mas a carne tentará lhe confundir
Pois da carne vem o desejo, mas o desejo não é amor,
Mas o amor tem desejo, então não se deixe iludir...
~
Este que se chama desejo, desprende-se no ardor,
E queima do coração a alma, numa estranha sensação
Mas apaga-se rápido, com um suspiro de dor,
Deixando-lhe com um vazio em seu coração...
~
Mas este que se chama amor, tem doação,
E esparrama a vida, tão cheia de paixão
E isso você poderá sentir e ver...
~
Porque só amor dá a única certeza de crer,
De poder fazer o milagre acontecer
Pois o amor é mais que uma simples ação...


IV Ato (Amar)

Conhecendo o amor, tenho certeza que o encontrará
E no primeiro olhar que lhe der está certeza,
A sua alma, a outra alma se renderá
E para um único rei, abrirá a sua fortaleza...
~
E farás de teu corpo, o campo que antes profano,
Ser semeado pela força deste amor sagrado
E nos sete dias da semana, e doze meses do ano,
Terás a certeza, do amor ter encontrado...
~
Mas saiba antes, que é muito fácil amar
E a sua força percebe-se em todo lugar
A atende pelo nome de amor...
~
Então tenha zelo, sê dele possuidor
O amor é único, não tem raça, não tem cor
E fará em seu coração um lar...

V Ato (Ela)

Trouxe-me o perfume da natureza,
Que entre vozes num coro dizia
Que seu olhar é de uma rara beleza
E que é belo seu sonho de fantasia...
~
Faz travessuras como uma menina,
E sabe invadir meu solitário coração
Meu Deus! Num todo ela é feminina
E vem brincar com a minha emoção...
~
Ela domina como quer o meu sentimento
E de minha paixão tem o argumento
E cabe a mim, saber se devo ouvir...
~
Pois ela sabe como me persuadir,
Com uma beleza que não encontra explicação
Fazendo-se dona de meu coração...

VI Ato (O medo)

Hora eu vos direi! Nesta minha suplica santa,
Que teus fantasmas são algozes de sonhos
E lhe seguem, bem na hora que te levanta,
Observam-te do escuro, tão sarcástico e medonho...
~
Hora eu vos direi então! Não tema, não fuja,
O medo por vezes pode ser teu aliado
O fantasma é figurado, como um balde de roupa suja,
Tentando mascarar, o medo de quebrar o que já fora quebrado...
~
Por que em meio à imperfeição do mundo,
Você se sente cada vez mais no fundo
Fazendo-lhe calar na palidez do medo...
~
Hora eu vos direi então! Levanta-te aedo,
Revela todos os seus segredos
Que os fantasmas somem num segundo...


VII Ato (A filosofia)

Agora veja os princípios e as causas,
A luz que te cega, e a palavra que te põem mudo
Testemunhe os inícios e as pausas,
Tentando entender dos gritos que te põem surdo...
~
Não entendo a filosofia filosofal dos homens sensatos,
Os juízes da ciência moral, dos espíritos em elevação
Então me calo diante dos seus atos,
Saber calar é fazer da sabedoria a razão...
~
Mas estou atento, ao que tens a dizer-me
E quem poderá responder-me,
Das duvidas em mim existentes?
~
Pois minhas dúvidas são insistentes,
De circunstâncias nada transparentes
E que freqüentemente envolvem-me...

VIII Ato (O Ministério da palavra)

Quem que da palavra tem o poder?
Quem é o profeta do ministério da palavra?
Será que só um homem pode há deter?
Ou será que um deus a está hipótese lavra?
~
Às vezes nos mostramos brutos ao falar,
E com ira, a nossa vaidade também se retrata
Pois a vaidade é cega, e com palavras nos faz errar,
Não fazendo enxergar, a quem realmente se maltrata...
~
A palavra é maldita, quando tem o dom de machucar,
E ela é como um grande pé a lhe pisar
E lhe esmaga, se lhe faltar uma reação...
~
Então tenha da palavra, a persuasão
E faça dela o advento da razão,
De sua capacidade de falar...

IX Ato (Fantasmas na noite)

O que acontece no adentrar das noites?
Quando o último trem parte da estação
Nas madrugadas prolongadas, sem fazer pernoite,
Não está sozinho, mas se encontra na solidão...
~
Na noite os seus fantasmas saem das tumbas,
Assim eles circulam pela escuridão latente
Vultos maliciosos rastejando pelas mofumbas
Deixando-o com medo, e o ar impaciente...
~
Pois nem em toda noite há lua
Então não se perca na rua,
Pois todos lugares estão escuros
~
E teus fantasmas, atravessaram os muros
E poderás na noite ouvir seus urros,
Retumbando na escuridão...

X Ato (Misérias do Dia)

O medo agora cruza contigo as ruas,
E caminha ao teu lado nas calçadas
Durante o dia, remoendo imagens cruas,
Imagens do tudo, imagens do nada...
~
Não tenha medo do sol infinito,
Somente das balas que cruzam sua cabeça
Essas podem lhe deixar agora aflito,
São balas sem ordem, nunca as obedeça...
~
Mas mesmo assim ainda é dia
Um dia que imita a noite,
Calando-te a base de açoite
~
Pois o dia imita a morte
O azar espanta a sorte,
Nestas misérias do dia...

XI Ato (Homem ou rato?)

O que é isso em meio ao lixo,
Que nos provoca tamanho espanto?
Não se mexe, não tem olhar fixo
E quando acuado, se espreme ao canto...
~
O que é isso em meio à sujeira,
Quase não se percebe suas feições?
E que desta pobreza é herdeira
E do lixo tira suas refeições...
~
Que ser é este animal,
Um homem ou ratazana?
Ou um mutante da realidade urbana?
~
Será este homem um rato?
Ou um rato em pele humana?
Que a sociedade engana...

XII Ato (Você vive no inferno)

Você já esteve no inferno?
Eu estive e posso lhe contar
Ele é frio como o inverno,
Não há amor, não há a quem amar...
~
É um caminho tão difuso,
Que termina num beco sem saída
E deixa tudo tão confuso
E não há flor, não há vida...
~
Não há palavras amigas,
Neste poço de intrigas
Só há ódio entre a escuridão
 ~
É um fim de mundo eterno,
E tem o nome de inferno
Onde não existe compreensão...



XIII Ato (A Jornada amiga)

Aprenda a caminhar sozinho,
Traçando a todos teus ideais
Mas acredite no caminho,
Que um amigo sempre vale mais...
~
De mãos dadas correrá mundo,
Atravessando todas as fronteiras
Pode acreditar nisso tudo,
Pois a amizade quebra barreiras...
~
E a vida nos mostra a realidade
Que só um amigo suporta a dificuldade
E une-se mais na hora da dor...
~
Amigo é o companheiro de verdade
E estará sempre contigo,
Fazendo-se ser o melhor amigo...

XIV Ato (Os velhos esquecidos)

Aquele velho ali sentado,
Sereno em um banco de praça
Cigarro na mão e meio embriagado
Parece sorrir para sua desgraça...
~
Tem em sua volta jornais umedecidos,
Que na noite lhe serviam de cobertor
E mostram que ele fora esquecido,
E que da vida também é um desertor...
~
Mas é apenas mais um pobre velho,
Seus cabelos brancos lhe evidenciam a idade
Morando sob os viadutos da cidade...
~
Ninguém sabe seu nome, e é uma realidade
Deixa de ser homem, para virar estatística,
Em meio de uma sociedade apocalíptica...

XV Ato (Solidão)

Solidão, companheira noturna e matinal,
De loucos, bêbados e profanos
É uma acompanhante nada formal,
A qualquer hora e dia do ano...
~
O todo dela é um mal desesperado,
Que maldosamente nos escarra o rosto
E desta saliva ficamos contaminados,
Caindo no mundo do desgosto...
~
Joga-te em sua apagada ribalta,
Atirando-lhe da torre mais alta
Provando-lhe que ela é mais forte
~
Pois a solidão pode lhe levar a morte
Caminhado com a falta de sorte,
Carregando o peso de sua malta...



XVI Ato (Não vá)

Não quero que vá agora,
Preciso lhe sentir mais uma vez
Quem ama, não se demora
E lembra de tudo que se fez...
~
Fique apenas mais um pouco,
Sensibilize-se agora comigo
Tua ausência me deixa louco
Preciso estar sempre contigo...
~
Eu até perco a respiração,
Então me ensine a direção
Da liberdade do seu amor...
~
Pois não quero que vá agora,
A chuva cai forte lá fora
Não vá agora, por favor...

XVII Ato (Volta)

Não é mentira que chorei,
E que minhas lágrimas secaram
E que por uma ajuda esperei,
Mas minhas esperanças findaram...
~
Fiquei preso no nada,
Sem você fiquei sem chão
Sinto-me como uma alma penada,
Aqui perdido, pedindo por oração...

Mas fujo de todo o sentido,
Penso até não ter vivido
Mas meu corpo ainda te sente...

Mulher, porque te faz ausente?
Se teu perfume parece não ter fim
Pedindo por favor, volta pra mim...

XVIII Ato (Escreva-me)

Quero saber de tua saudade,
À distância hoje nos separa
Escreva-me contando das novidades,
Não me esconda nada...
~
Escreva-me, conte de seu dia
A sua noite quero que me descreva
Diga-me se ontem chorava, ou sorria
Preciso saber, tenha a certeza...
~
Diga-me, se caminhavas pela calçada,
Olhando para o sol encantada
O se miravas o mar do mirador...
~
Escreva-me, por favor,
Conte-me seus sonhos de amor,
E de tudo que faz nesta vida...



XIX Ato (Sentimentos)

Sentimentos não se explicam,
Eles apenas se vivem
Como almas gêmeas se comunicam,
E em dois corpos se dividem...
~
Como explicar esta forte atração,
Se esta além do meu conhecimento
Muito além de minha compreensão
Então deixo me levar pelo sentimento...
~
Não vou criar uma tese,
É algo que não se mede ou se pese
Ou se tenta dar explicação...
~
Doa-te antão a emoção,
Faça do amor, um autoconhecimento,
Pois ele é o mais nobre dos sentimentos...

XX Ato (A morte)

Esta sim é a dona de tua vida,
E come-lhe descomedida, sem aparecer
E sem guarnecer-lhe guarida,
Farás o teu corpo saudável, um dia apodrecer...
~
É a morte que comanda a vida,
E escolhe o dia que deixaras de viver
É a encruzilhada sem volta e medida,
O jogo que você nunca poderá vencer...
~
A morte está na noite e no dia,
Está no medo e na filosofia
E está marcada em seu calvário...
~
A morte é dona do tempo e chega sem horário
Ela está descrita no teu diário,
Como a única certeza a lhe acontecer...
Marco Ramos
Enviado por Marco Ramos em 01/03/2005
Código do texto: T5468
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Sobre o autor
Marco Ramos
Salvador - Bahia - Brasil, 47 anos
242 textos (16463 leituras)
5 áudios (354 audições)
3 e-livros (406 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/09/16 14:20)
Marco Ramos