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Nascer...
Desprendimento maternal;
início da minha solidão.
Os médicos sorriam.
Minha mãe sorria.
Meu pai, ausente, também estava feliz.
O cosmos se expandia em mim.
Eu, entretanto, chorava.

Crescer...
Desenvolvimento carnal;
saga da minha solidão.
Os amigos sorriem.
A namorada tem seus momentos de sorriso.
Meus irmãos, presentes, igualmente felizes estão.
E a expansão “sidérica” não tem fim.
Eu, mesmo assim, ainda choro.

Ter...
Acanhamento moral;
tormento e desilusão.
Os políticos sorriem.
O meu algoz sorrir.
A ‘corrupção’ não cabe em si – é sorriso pleno.
O universo quase explode em profusão.
Eu, mero assistente, sou pranto.

Ser...
Julgamento pessoal;
razão da eterna busca.
Os filósofos sorriram.
A mãe Sofia era sorriso.
Meu eu, desconhecido, é um incógnito vir-a-ser.
Meu universo se contrai dentro de mim.
Eu, entretanto, penso em chorar, apenas.

Morrer...
Desprendimento formal;
reinício da saudosa solidão.
Meus pais chorando.
A mulher, em pranto, chora.
Meu pai, presente, quer se ir também.
Meu microcosmo pulsa, distende e contrai.
Eu, entretanto, sorrio e não choro mais.

Juazeiro do Norte-CE, 23 de outubro de 2007.
23h38min
.:.
Nijair Araújo Pinto
Enviado por Nijair Araújo Pinto em 28/10/2007
Reeditado em 17/09/2012
Código do texto: T713541
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Nijair Araújo Pinto
Crato - Ceará - Brasil, 46 anos
2155 textos (62863 leituras)
81 áudios (1610 audições)
3 e-livros (536 leituras)
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Nijair Araújo Pinto