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Era uma vez um Castanheiro...


Era um velho castanheiro,

de copa redonda e cerrada,

Erguia-se nobre, o ano inteiro,

Mesmo ao Sol e com a geada!



O seu fruto ele me dava,

Vindo da copa tão prenha!

E a minha fome matava,

com a sua bela castanha!



Meu Deus! Recordo tão bem,

como se fosse mesmo agora,

quando ia com minha mãe,

de burro pl' estrada fora.



Sobre o pobre e velho jumento

cuja garupa mal alcançava,

eu seguia bem contente,

pois nas albardas castanhas, levava!


Quanta era a nossa alegria,

nessa noite a janta da gente!

Parecia mais que um festim,

quando muita fome se sente!



Anos mais tarde voltei lá,

á pequena aldeia onde nasci!

Busquei o meu castanheiro,

Procurei, mas a este, não vi!


Caira no duro chão,

durante o último inverno!

O meu lindo castanheiro,

que eu julgava eterno!


Numa noite de tormenta,

um raio malvado o tomou!

e pelo meio do tronco,

a velha arvore trespassou!


O meu Castanheiro,

que tanta fome me matou,

Velho, triste e carcumido,

assim se sozinho, findou!


Ninguém o chorou!

Pois bem! Choro-o eu!

Minh'alma também penou!

quando o castanheiro morreu!

Aguarela Matizada
Enviado por Aguarela Matizada em 07/08/2006
Reeditado em 13/06/2010
Código do texto: T210898

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Sobre a autora
Aguarela Matizada
Brisbane - Queensland - Austrália, 57 anos
266 textos (10830 leituras)
8 áudios (206 audições)
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Aguarela Matizada