GOTEIRINHA DE ESTIMAÇÃO
 
 
Uma telha quebrada,
que brada:
"Não me tirem daqui ! . . .
A bela menina dorme:
linda, inocente, pura...
 
Sou eu que lhe mostra:
a lua, nas noites claras;
as estrelas, noite escura,
ou nuvens noctilucentes,
raras.
 
Sou eu que deixa passar:
das aves, o pio sonoro,
o ciscar, o esvoaçar;
 
dos ventos, o sopro,
o assobio estridente;
 
algum ruído na rua,
gente tagarela,
murmurante, cantante...
 
Sou eu que sempre fita
sua face molhada,
quando sobre o telhado
a chuva se precipita.
 
Sou eu que aponta
os anjos que ela imagina
respingos do infinito...
 
Inocente, surpreendente,
sempre me cumprimenta
ao deitar-se na cama.

Diz que  me ama e que inda
sou seu melhor presente,
trazido do céu.

 
Simples telha,
quebrada

por divinal pisada
do seu Papai Noel”.
 
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Para o conto: A telha quebrada (T4932931)
De: Elisabeth Amorim
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