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SAUDADES DE UM AMOR

Eterno sem durar para sempre,

Que dure pouco para se poder sentir saudade,

E que não dê tempo de se descobrir todos defeitos.

 
Que seja extasiante...

Que tire o fôlego e ainda assim não machuque.

A dor há de ser vivida com tamanha intensidade,

E a saudade deve ser moldada ao retrato de seu rosto.

 
Imagem a nunca se dissipar,

Ainda que se durasse a longa eternidade.

Mas não há de ser eterno eternamente,

E a saudade do amor não há de ser fúnebre,

E deve ser intensa e tão constante quanto o ar respirado...

 
E tem de ser diária e presente,

Tem de se fazer curioso até por sua aparência.

 
E não que se queira vê-la, ainda que eventualmente.

 
A saudade deve ser saudade,

E a presença jamais, para não quebrar o encanto.

 
E a cada dia mais há de ser forte o encantamento.

 
Desobediente para jamais poder ser esquecida,

Cruel para merecer ser odiada vezes a fio,

E maldosa para não merecer perdão jamais.

 
E quando outrora não quiser mais amar ninguém,

Há de se lembrar que no espaço curto da vida,

Apenas aos amores tivemos tempo de brindar,

E apenas dela se lembrou quando não quis ser responsável.

 
O amor é irresponsável,

A mulher amada a inconseqüência,

Mas dela precisamos como da velhice o corpo.

 
Ainda que sempre tivesse querido amar,

Ainda que pudesse amar sem odiar ao mesmo tempo,

Odiaria para nutrir a minha existência na vida.

 
Quero odiá-la para não poder esquecer,

E quero ter a certeza da estreiteza de ódio e amor.

 
E ela deverá viver muito,

Para que mesmo na ausência eu não a esqueça,

E não quero perder este amor odioso jamais.

 
Infeliz no viver, mas feliz no seu querer.

Que tenha muitos momentos felizes,

Para poder me lembrar sempre,

E comparar nossos momentos únicos.

 
E fomos felizes, e vivemos, e amamos...

 
Amar como nos amamos,

Viver como vivemos...

 
Isto é pagina linda da história da vida,

Ainda que hoje nosso ódio seja reverso do amor.

 
E vou querer viver tanto,

E vou querer que ela viva tanto...

 
E vou querer rir quando me lembrar dos erros,

E errar mais, e muito para continuar sendo lembrado.

 
Nos bons momentos quero não merecer ser histórico,

Mas nos tórridos momentos vou estar sempre presente,

Ainda que em lembranças de outrora.

 
Talvez eu nem faça mais parte de sua história,

Talvez eu nem mereça mais ser relembrado...


Mas amar como eu amei,

E dá-la o que te dei,

Isto não será esquecido jamais...

 
E velho, cansado do tempo,

Quando dela ventos lembranças trouxer,

Vou querer dessa brisa gostosa respirar,

Vou querer viver para isto sentir sempre.

 
E quando eu tiver que odiar,

Será a esta roubadora de amores.

 
Arnaldo Jr.
www.geocities.com/arnaldoxavier
Arnaldo Xavier Junior
Enviado por Arnaldo Xavier Junior em 01/03/2006
Reeditado em 06/03/2006
Código do texto: T117545
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Sobre o autor
Arnaldo Xavier Junior
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Arnaldo Xavier Junior