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Ponto final

Nem mais um sonho.
Nem mais um passo.
Nem mais um gesto.

Chega de protesto.

Não mais semearei
uma flor no meu jardim.

A partir de  hoje,
vou só cuidar de mim.

Vou pôr na prateleira
todo o desejo,
toda a canseira,
toda a ternura
de manter acesa
a chama da lareira.

Darei por cada asneira
um grito de triunfo
e cada utopia
um riso de desdém.

Vou infestar
de  larvas e mosquitos
a terra dos benditos.

Vou entoar
o canto dos proscritos,
o conto do “ninguém”.

E quando regressar,
vou pegar
no bocado que resta
da minha indiferença.

Vou colocá-la
na presença
de histórias do passado,
de sonhos do que vem.
........................................

Até que uma criança
de olhar triste
passa por mim
e sorri.
 
Ai de mim
que não aguentei.

Ó sorriso
que desfazes
meus esquemas
e promessas.

 Ó presença
que abalas
o bocado que resta
da minha indiferença.

Olhei a multidão
de riso triste
que a seguia,
sem fúria
nem revolta
nem lamúria
nem escolta.

E segui-a.
Manuel Paulo
Enviado por Manuel Paulo em 24/08/2006
Código do texto: T224546
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Sobre o autor
Manuel Paulo
Portugal
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