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Outra Sala de Café

                     Outra Sala de Café






Tentarei,
Nas cartas que for escrevendo,
Descurar as renitências
Expandindo-me ao ridículo de ser sincero.
Confidenciarei aos amores enlutados
Os receios, as inseguranças, as dúvidas
Que lhes boicotaram a serenidade,
Abalando-os e minando-os,
Ditando-lhes efémeros desenlaces.
Ciciarei,
Envergonhado de tão parco empenho,
Fazendo o próprio papel corar
Até as letras se sumirem em lágrimas derramadas
Na íntima solidão do tempo,
Do tempo retrospectivo onde bailam as lembranças
Memórias doces de gloriosos ardores
Olhares cruzados nos cafés onde tudo começava
E eram ainda o local usual que acolhia os encontros.
Reviverei as mãos tocando-se por sob a mesa
Ruborizando a vergonha atrevida das carícias
A atenção zombante dos empregados de mesa
E o mirar trocista dos clientes
Fixado no par abstraído
Enquanto mares de rosas e jasmins
Erravam como estrelas no ar abafado da sala
Abençoada pela presença dos amantes
Que iam escrevendo a história das suas vidas
Em cada momento ali passado.



Moisés Salgado
alestedoparaiso
Enviado por alestedoparaiso em 14/10/2006
Código do texto: T264272

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