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HELGA

Ainda lembro de ti
quando esbarraste comigo
na estação de Antwerp.
Sei que me xingaste,
mas não me ofendo.
Meu alemão é muito ruim.

O destino (talvez o número da passagem?).
colocou-nos no mesmo lugar
até chegarmos a Bonn.
Pelo táxi brigamos
Eu ganhei, mas de qualquer modo...
Não sei o que disseste ao motorista,
Meu alemão é muito ruim.

Aquela noite no quarto
tentei te namorar em alemão
mas respondeste em francês.
Mais à vontade, beijei teus olhos claros
e enrolei-me nos cachos loiros.
Pelos planetas viajaste,
delirando em alemão.
Não entendi nada.
Meu alemão é muito ruim.

Pela manhã não estavas no quarto.
Contrariado, saí para o café.
Na rua o mundo circulava,
Mas uma solidão estranha
Começava me torturar
Quase me atropelas com o carro,
tagarelando aos gritos,
com a freada não ouvi.
Não faz diferença...
Meu alemão é muito ruim.

Como uma doida varrida
tua Mercedes dirigias
pelas ruas de Bonn.
Na estação me deixaste,
Inteiro e salvo.
Teu beijo nunca esquecerei.
Tuas palavras não lembro bem
O trem era barulhento.
De qualquer modo...
Meu alemão é muito ruim.

Setembro, 1973. Antwerp, Bélgica.
Páginas da Memória,livro inédito.
Gabriel Solís
Enviado por Gabriel Solís em 27/08/2005
Reeditado em 20/08/2009
Código do texto: T45547
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Gabriel Solís
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 63 anos
89 textos (6976 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/12/16 02:51)
Gabriel Solís