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LIBERTEI A CRIANÇA


Na imensa lousa do céu
Coberta de pó de giz
Desenhei tudo que eu quis:
Um homem com chapéu;

Pássaros de hábitos diurnos;
Borboletas formosas;
Muitas ovelhas lanosas;
Morcegos em vôos noturnos.

Vovó com cabelos de prata,
O bolo que me deliciava,
O gato que eu amava
E a rosa plantada na lata.

Não me cansava de inventar,
E minha lousa era rica
De lembrança que fica
Como um cãozinho a ladrar

Correndo atrás da gente,
Brincando de esconde-esconde,
De subir no estribo do bonde:
- Olha no céu a serpente...!

Gritou a criança escondida
Nas cavernas de minh’alma,
Ao ser liberada sem trauma
Vendo longa nuvem perdida

Na mesma lousa coberta
Com o mesmo pó de giz.
De rogada não me fiz,
Rabisquei uma porta aberta

Para que volte a criança
Guardar seu imenso tesouro,
Pode ser um grilo ou besouro
Ou um fio de esperança.

02/10/05.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 02/10/2005
Código do texto: T55651

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão