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Os gritos do passado

  OS GRITOS DO PASSADO – set/2007

Sento-me na cadeira e fecho os olhos
Solto, sem amarras, o meu pensamento.
Livre ele corre da planice ao abrolho
Através das recordações do momento

Permaneço quedo e mudo.
Ouço gritos de outrora:
“Óia o capão-gordo”; “óia o  miúdo”;
“óia o verdureiro, verdura colhida agora”.

Mais adiante ouço a gaita do amolador,
Empurrando o engenho de correia e pedal
Tesouras, facas, afiadas com primor.
Tornando útil aquele metal.

Soa a matraca do mascate,
Vendendo objetos, verdadeira quinquilhadas.
Banha –perfumada, ruge, batom, alicate,
Deixam patroa e  empregada assanhadas.

Surge o vendedor, trazendo o varal-de-andor
Nos ombros, dizendo a toda goela
“tenho vassoura, candeeiro, espanador”,
‘Vasculhador, raspador e grelha”.

O tilintar do triangulo do cavaquinho.
O grito forte “ óia o doce japonês”;
 A carroça trazendo leite fresquinho,
Tudo isso a cata do freguês.

Toda essa recordação veio
Trazida pela liberdade do pensamento
Que viajou pelo devaneio
De um passado de sublime momento.

                                                               Rildége Acioli


Dege
Enviado por Dege em 01/10/2007
Código do texto: T676107
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Sobre o autor
Dege
Olinda - Pernambuco - Brasil, 83 anos
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